# Ibovespa interrompe perdas mensais e sobe 3,47% em julho

> O Ibovespa interrompeu quatro perdas mensais consecutivas e registrou alta de 3,47% em julho, encerrando aos 177.999 pontos. A retomada do fluxo estrangeiro e o otimismo com cortes da Selic impulsionaram o índice. O dólar recuou 1,79% no mesmo período.

*Viva Capital · Investimentos · 31 de julho de 2026 · Henrique Salomão*

Com retomada do fluxo estrangeiro e otimismo com cortes da Selic, o Ibovespa interrompeu quatro perdas mensais seguidas e subiu 3,47% em julho, encerrando aos 177.999 pontos. Dólar caiu 1,79%.

## Ibovespa interrompe sequência de perdas mensais e acumula alta de 3,5% em julho

O Ibovespa (IBOV) subiu 3,47% em julho, encerrando o último pregão aos 177.999,00 pontos. Com isso, o principal índice da bolsa brasileira interrompeu a sequência de quatro perdas mensais consecutivas, impulsionado pela retomada do fluxo estrangeiro e pelo otimismo com a continuidade do ciclo de cortes na taxa Selic. No mesmo período, o dólar à vista acumulou desvalorização de 1,79% sobre o real, terminando a última sessão cotado a R$ 5,0704.

## O que impulsionou o Ibovespa em julho?

A política monetária concentrou as atenções dos investidores, em meio à calibração de apostas sobre a trajetória de juros brasileira. Os dados de inflação mais fracos e a continuidade da incerteza no cenário externo foram os principais vetores.

No início de julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou em junho, acumulando alta de 4,64% nos últimos 12 meses, ainda acima da meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Já no final do mês, o IPCA-15, considerado a prévia da inflação, também recuou de 4,80% para 4,52% nos últimos 12 meses.

A percepção de alívio nos preços levou a uma série de revisões por parte dos bancos. O Bank of America (BofA) alterou a projeção de manutenção para uma redução da Selic em 25 pontos-base na próxima decisão do Copom, marcada para 5 de agosto, sendo a última flexibilização nesse ciclo. O Itaú BBA também passou a enxergar um cenário de desaceleração mais intensa da atividade, inflação menos pressionada e espaço para um ciclo maior de cortes. O banco agora espera que a Selic termine 2026 em 13,75%, abaixo da previsão anterior de 14%.

A curva a termo já precifica 100% de um novo corte de 0,25 ponto percentual na próxima semana, reduzindo a Selic de 14,25% para 14,00% ao ano.

## Impacto do tarifaço dos EUA sobre o Brasil

O chamado tarifaço também voltou aos holofotes. Na semana passada, o governo dos Estados Unidos tarifou duplamente os produtos brasileiros, anunciando duas tarifas adicionais que, juntas, somam 37,5%. Segundo cálculos da Global Trade Alert, o Brasil passou a ser o segundo país com a maior tarifa efetiva média entre todos os parceiros comerciais dos EUA, com alíquota de 17,7%, atrás apenas da China, cuja tarifa efetiva média alcança 27,2%.

Na tentativa de conter os impactos, o governo federal anunciou a liberação de R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas.

## Temporada de balanços e visão de analistas

A temporada de balanços do segundo trimestre (2T26) também movimentou os últimos pregões do mês. Para Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico, a assimetria segue favorável para a bolsa, para quem tem horizonte de médio e longo prazo. "O mercado corrigiu nos últimos meses, mas mostrou resiliência mesmo sem melhora relevante de notícias e pode reagir bem a qualquer sinal mais construtivo", afirmou. "Em outras palavras, os preços atuais oferecem um ponto de entrada atrativo para quem tem perfil de risco e horizonte mais longo", acrescentou.

## Decisão do Fed e repercussão no mercado

Na última quarta-feira (29), o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do Fed manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela quinta vez consecutiva. A decisão não foi unânime: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan votaram pela alta de 0,25 ponto percentual. Foi a primeira vez desde 2016 que três dos nove diretores do Fed discordaram da decisão unificada.

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que as divergências foram intencionais e bem-vindas. Ele destacou que queria uma "boa briga de família" dentro do Fomc e que os três votos dissidentes mostram que o Comitê está debatendo os temas de forma aberta e intensa. Warsh também reafirmou o compromisso com a meta de inflação, de 2%, e indicou que o BC está reavaliando não apenas a política monetária, mas também sua estratégia de comunicação e o uso de seus instrumentos.

Para economistas e agentes do mercado, a ausência de sinalização mais clara não reduziu as incertezas sobre a postura do Fed contra a inflação. "Os dados econômicos de julho serão decisivos para calibrar as expectativas para a reunião do Fed em setembro, especialmente em relação à inflação, ao emprego e à atividade", avalia William Castro Alves, economista-chefe da Avenue Securities. O risco de um novo shutdown, em setembro, também voltou ao radar após o presidente dos EUA, Donald Trump, pedir aos congressistas que aprovem projetos que seguem parados nas duas Casas Legislativas. "O mercado continuará acompanhando o conflito no Oriente Médio, o funcionamento do Estreito de Ormuz e os impactos sobre o petróleo", avalia Alves.

## Destaques positivos e negativos do mês

CSN Mineração (CMIN3) foi a ação com melhor desempenho mensal entre os 79 papéis negociados na carteira teórica do Ibovespa. Segundo analistas, a forte valorização deve-se à combinação do programa de recompra de ações e do fluxo comprador. Os investidores também ficaram atentos a notícias sobre a venda da divisão de cimentos da CSN (CSNA3). O Safra estima o negócio em mais de R$ 10 bilhões, valor relevante diante dos cerca de R$ 22 bilhões em vencimentos concentrados entre 2026 e 2028. A avaliação do banco é de que uma eventual monetização parcial do ativo pode aliviar preocupações de liquidez e melhorar as condições de refinanciamento da dívida.

Na ponta negativa, a Direcional Engenharia (DIRR3) foi a ação com pior desempenho em julho. Os papéis foram pressionados pela prévia operacional do 2T26. Na visão de Caio Araujo, analista da Empiricus Research, os números vieram "próximos das projeções", com destaque para a geração de caixa e para a manutenção de uma velocidade de comercialização (VSO) saudável, apesar de fatores pontuais que impactaram a conversão de vendas. Entre abril e junho, a construtora lançou R$ 2,1 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), sendo R$ 1,6 bilhão correspondente à sua participação.

## Perguntas Frequentes

### O Ibovespa subiu quanto em julho?

O Ibovespa subiu 3,47% em julho, encerrando aos 177.999 pontos, interrompendo quatro perdas mensais consecutivas.

### Qual foi a cotação do dólar em julho?

O dólar à vista acumulou desvalorização de 1,79% sobre o real no mês, terminando cotado a R$ 5,0704.

### O que moveu o Ibovespa em julho?

A retomada do fluxo estrangeiro, o otimismo com cortes da Selic e a temporada de balanços do 2T26 foram os principais fatores.

### Qual ação subiu mais no Ibovespa em julho?

A CSN Mineração (CMIN3) foi a ação com melhor desempenho mensal entre os 79 papéis da carteira teórica do Ibovespa.

### Qual ação caiu mais no Ibovespa em julho?

A Direcional Engenharia (DIRR3) foi a ação com pior desempenho em julho, pressionada pela prévia operacional do 2T26.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/investimentos/ibovespa-interrompe-sequencia-perdas-mensais-acumula-alta-35-julho/
