No primeiro pregão de setembro, o Ibovespa (IBOV) marcou a décima alta consecutiva, destoando da aversão a risco lá fora, puxado pelo cenário eleitoral e pela forte alta da Petrobras (PETR3; PETR4), em linha com o petróleo Brent. O índice fechou com ganho de 1,30%, aos 179.722,48 pontos, após tocar 181.060,89 pontos na máxima. O dólar à vista caiu 0,47%, a R$ 5,1557. Para quem investe, a leitura é clara: o humor do mercado segue atrelado à política e ao desempenho das grandes estatais.
O cenário eleitoral acirrado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue no radar, com pesquisas apontando redução na diferença entre os candidatos. Os desdobramentos do envolvimento do ministro do STF Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, reforçam a leitura de que a oposição pode melhorar nas próximas pesquisas. Também pesa a desaceleração do PIB do segundo trimestre de 2026, que cresceu 0,5%, com agro e indústria extrativa positivos. Para o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, a alta veio ligeiramente acima do esperado, mas puxada por segmentos menos cíclicos. O banco projeta expansão de 0,2% no terceiro trimestre e crescimento de 1,9% no ano.
No fim do dia, a Petrobras saltou mais de 4%: PETR4 disparou 4,11% (R$ 46,87), sendo a ação mais negociada da B3. Os bancos também ajudaram, com o Índice Financeiro subindo 1,63%, puxado pelo Banco do Brasil (BBAS3), que avançou 2,56%, a R$ 21,27. Vale (VALE3) ganhou 0,58%, a R$ 78,30. Juntas, Vale, Petrobras e bancos respondem por 50% da carteira teórica do Ibovespa. Na ponta positiva, a CSN (CSNA3) saltou 7,89% (R$ 5,74), com a venda da divisão de cimentos no radar; a disputa envolve a chinesa Huaxin e o Grupo Votorantim com a italiana Cimentir. Na negativa, o Magazine Luiza (MGLU3) caiu 3,95%, a R$ 4,62.
Lá fora, Wall Street fechou em baixa com o conflito no Oriente Médio e o petróleo no maior patamar desde julho, após ataques dos EUA ao Irã. O Stoxx 600 caiu 0,56%, o Nikkei recuou 0,15% e o Hang Seng perdeu 0,93%. Para o investidor de longo prazo, o recado é de atenção: o cenário externo segue volátil, mas o mercado doméstico ainda encontra suporte na política e nas estatais. Acompanhar os próximos passos do câmbio e do petróleo ajuda a calibrar a carteira sem reagir ao ruído de curto prazo.