O Ibovespa fechou em alta de 1,88% nesta quinta-feira (30), aos 177.158,86 pontos, impulsionado pelo apetite a risco global e dados de emprego no Brasil. O dólar à vista caiu 0,93%, a R$ 5,0611. O mercado precifica corte de 25 pontos-base na Selic na próxima quarta-feira (5), segundo o economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano.
Por que o Ibovespa subiu tanto hoje?
O principal índice da bolsa brasileira ganhou mais de 3 mil pontos na 'carona' do apetite a risco no mercado global. Os balanços corporativos ficaram no radar, e os dados econômicos no Brasil e nos Estados Unidos agitaram o dia. Com o avanço, o IBOV voltou ao território positivo no acumulado da semana, com ganho de 1,79%.
O papel de Wall Street e dos dados globais
Os índices de Wall Street tiveram um dia de fortes ganhos, em recuperação das perdas da véspera. A ação da Microsoft (MSFT) disparou 15,5% e fechou cotada a US$ 451,10, após balanço. Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 0,77%, aos 649,95 pontos, com a economia da zona do euro crescendo 1,8% em termos anualizados, superando os EUA (1,5%).
A exceção foi o FTSE 100, de Londres, que caiu 0,10%, aos 10.897,27 pontos, após o Banco da Inglaterra (BoE) manter os juros em 3,75% ao ano. A decisão não foi unânime: dos 9 membros, três votaram pela alta de 0,25 ponto percentual. A dissidência foi maior do que a esperada pela maioria dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam manutenção por 7 votos a 2.
Copom e Selic: o que o mercado espera?
Por aqui, o mercado consolidou a aposta de corte de 25 pontos-base na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A curva a termo precificava praticamente 100% de probabilidade de redução na próxima quarta-feira (5), e as chances de um novo corte em setembro também aumentaram para cerca de 50%, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg.
Dados de emprego no Brasil
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% nos três meses até junho, segundo dados do IBGE divulgados nesta manhã, em linha com a previsão dos analistas consultados pela Reuters. Trata-se do menor patamar para o intervalo na série histórica iniciada em 2012. Para a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, a mensagem dos dados da Pnad segue a mesma dos últimos meses: o mercado de trabalho brasileiro continua aquecido, apesar de alguma moderação no crescimento da renda. "Mesmo que a desaceleração da atividade econômica possa reduzir o ritmo de criação de vagas ao longo de 2026, esperamos que a taxa de desemprego permaneça em níveis historicamente baixos", afirmou ela. A projeção do C6 é que o indicador encerre o ano em torno de 5,5%.
Quais ações lideraram a alta do Ibovespa?
Com o alívio na curva de juros futuros, as ações cíclicas ganharam fôlego. MBRF (MBRF3) liderou a ponta positiva do IBOV, com alta de 7,80% (R$ 17,96), com a expectativa de alívio no custo da produção após a liberação da entrada de gado do México nos EUA.
Os pesos-pesados: Vale, Petrobras e bancos
Os pesos-pesados também foram os patrocinadores da alta. O Índice Financeiro (IFNC) terminou o pregão com alta de 1,45%, apesar da queda das ações do Santander (SANB11), de 1,48% (R$ 25,25), após o JP Morgan rebaixar o papel para neutro em ajuste aos números do 2T26.
Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, encerrou o dia com alta de 1,39% (R$ 76,09), com os investidores à espera do balanço do 2T26. A mineradora já adiantou ter entregado o melhor segundo trimestre desde 2018, impulsionada por uma produção robusta e preços favoráveis de suas commodities. Contudo, a principal preocupação que ronda os resultados é a evolução dos custos.
Petrobras (PETR4; PETR3) também acompanhou o apetite doméstico e destoou do tom negativo dos preços do petróleo. PETR3 subiu 2,19% (R$ 48,55) e PETR4 registrou ganho de 2% (R$ 42,84). Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
O que puxou a baixa do índice?
A ponta negativa do IBOV foi liderada pela Usiminas (USIM5), que caiu 9,25% (R$ 7,55), em reação ao balanço trimestral. Na avaliação de analistas, o balanço mostrou uma recuperação consistente da operação de siderurgia, impulsionada por reajustes de preços e um mix de vendas mais favorável. Ainda assim, o mercado segue olhando para o segundo semestre, quando a companhia deve enfrentar custos mais elevados, uma mineração mais fraca e o desafio de continuar elevando os preços do aço para preservar as margens.
Dólar cai: qual a cotação hoje?
O dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,0611, com queda de 0,93%. O movimento acompanha o alívio global e a expectativa de corte na Selic, que reduz o prêmio de risco cambial. Câmbio e investimentos
Como fecharam os mercados asiáticos?
Na Ásia, os índices terminaram a sessão em alta. O índice Nikkei, do Japão, subiu 0,71%, aos 61.867,43 pontos. O índice Hang Seng, de Hong Kong, teve avanço de 0,20%, aos 25.858,88 pontos.
Perguntas Frequentes
O que fez o Ibovespa subir hoje?
O Ibovespa subiu 1,88% impulsionado pelo apetite a risco global, após Wall Street se recuperar com o balanço da Microsoft, e pelos dados de emprego no Brasil, que reforçaram a expectativa de corte na Selic.
Qual foi a cotação do dólar hoje?
O dólar à vista fechou a R$ 5,0611, com queda de 0,93%, influenciado pelo alívio no mercado global e pela precificação de redução na Selic.
Quais ações subiram mais no Ibovespa?
MBRF (MBRF3) liderou com alta de 7,80%, seguida por Petrobras (PETR3, +2,19%; PETR4, +2%) e Vale (VALE3, +1,39%).
O que esperar da Selic?
O mercado precifica 100% de chance de corte de 25 pontos-base na reunião do Copom em 5 de agosto, com cerca de 50% de probabilidade de novo corte em setembro, segundo Flávio Serrano, do banco Bmg.
Por que a Usiminas caiu tanto?
A Usiminas (USIM5) caiu 9,25% em reação ao balanço trimestral, que mostrou recuperação operacional, mas o mercado projeta custos elevados e desafios no segundo semestre.
Qual a taxa de desemprego no Brasil?
A taxa de desemprego ficou em 5,4% nos três meses até junho, menor patamar da série histórica do IBGE iniciada em 2012, em linha com as expectativas.