O Ibovespa (IBOV) voltou a registrar perda mensal em agosto, após acumular valorização de 3,47% em julho. O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,33% no mês e encerrou o último pregão aos 177.418,78 pontos. O dólar à vista subiu 2,16% sobre o real, fechando a R$ 5,1801. O movimento refletiu a forte saída dos investidores estrangeiros, apesar da recuperação na metade final do mês.
Dois fatores explicam a queda. Primeiro, em 11 de agosto, o JP Morgan rebaixou a recomendação do Brasil de overweight para neutro, citando o ciclo de flexibilização monetária perto do fim, a desaceleração econômica e a deterioração do ciclo de crédito. Depois disso, o IBOV registrou 11 quedas consecutivas. O Morgan Stanley também rebaixou as ações brasileiras para neutro, com cautela sobre risco e retorno. A leitura do mercado é que riscos fiscais e eleitorais entraram no radar dos investidores gringos, com baixa probabilidade de um ajuste fiscal crível em caso de reeleição do presidente Lula.
O segundo motivo é externo. O Treasury de 30 anos alcançou o maior patamar desde 2002, superando 5,3%, com a dívida dos EUA ultrapassando US$ 40 trilhões. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que dobraria as recompras de títulos de médio e longo prazo, pegando o mercado de surpresa. O discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole e o avanço de 0,2% do PCE em julho adiantaram apostas de alta de juros nos EUA para setembro.
Apesar da prévia de agosto com deflação de 0,40%, mais intensa que o previsto, o Ibovespa não se recuperou totalmente. A XP reduziu a estimativa da Selic 2026 de 14% para 13,25%, prevendo cortes contínuos.
Na ponta positiva, a SLC Agrícola (SLCE3) liderou com salto de 19,66%. O UBS BB elevou a recomendação de venda para neutra, com preço-alvo de R$ 16, e o BTG Pactual subiu o alvo para R$ 23, reforçando compra. Já a Hapvida (HAPV3) despencou 41,49% após balanço fraco do 2T26, com lucro de R$ 12,5 milhões, queda de 95,8% ante um ano antes. A Squadra vendeu suas ações, chamando de "o maior erro de investimento" de sua história.
Se você investe em renda variável, o cenário exige atenção aos fluxos estrangeiros e ao fiscal. Como sempre, vale consultar um contador ou assessor para ajustar sua estratégia.