O Grupo Toky (TOKY3) informou ao mercado, na noite de quinta-feira (10), que recebeu correspondência de acionistas pessoas físicas que afirmam deter 6,11% do capital social da companhia. Eles pedem a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para deliberar sobre temas estruturais da empresa.
A pauta pedida pelos acionistas inclui três pontos: a eleição de membros do conselho de administração, a alteração do capital autorizado e uma ação de responsabilização dos administradores. No comunicado, a companhia, que está em recuperação judicial, afirmou que o pedido está sendo analisado quanto aos requisitos legais e regulatórios aplicáveis. Concluída essa análise, dentro do prazo legal, a empresa divulgará eventuais informações adicionais.
O que está em jogo na governança da Toky
O movimento abre espaço para discussões sobre a governança da companhia, num momento em que acionistas tentam levar à deliberação temas que mexem na estrutura da administração. Ainda não há data definida para a assembleia, nem confirmação de que ela será convocada: tudo depende da análise jurídica em curso.
Vale lembrar o contexto financeiro. Em maio, o Grupo Toky entrou com pedido de recuperação judicial citando dívida superior a R$ 1 bilhão. Na ocasião, a companhia atribuiu o cenário ao ambiente macroeconômico desafiador, em especial para o segmento de móveis e decoração, com impacto significativo nas vendas. Taxas de juros elevadas, maior endividamento das famílias e condições de crédito mais restritas vêm reduzindo a confiança do consumidor e postergando decisões de compra, segundo a empresa.
"Além das condições macroeconômicas, as restrições temporárias nos níveis de estoque vêm causando um impacto significativo na liquidez de curto prazo", declarou a Toky à época.
Conflitos anteriores e o embate com a Mobly
O Grupo Toky já esteve no radar do mercado por conflitos internos. Em março do ano passado, veio à tona a intenção da família Dubrule, fundadora da Tok&Stok, de realizar uma oferta pela Mobly. A proposta foi classificada desde o início como "inviável" pela diretoria e pelo conselho da companhia. O episódio deu início a um embate com acusações entre os dois nomes do setor de móveis e decoração, menos de um ano após a união das empresas.
Para quem acompanha o varejo de móveis, o pedido de AGE é mais um capítulo de uma novela societária que já dura meses. A diferença agora é o peso do capítulo: recuperação judicial de um lado, questionamento sobre administradores do outro. Resta saber se a assembleia sai do papel e o que ela destrava.