A SBF (SBFG3), dona da Centauro, anunciou nesta segunda-feira (31) um programa de recompra de até 10% das ações. O documento enviado ao mercado prevê a compra de até 12,9 milhões de papéis em um prazo de 18 meses. Segundo a companhia, a medida busca gerar valor para os acionistas.
Programas assim costumam ser lidos pelo mercado como um sinal de confiança da administração nos fundamentos e no potencial de valorização. No ano, o papel derreteu 34%, pressionado por resultados fracos e pela piora da economia. Mesmo assim, analistas seguem confiantes.
O Itaú BBA, por exemplo, espera desaceleração do crescimento das vendas mesmas lojas (SSS) nos próximos trimestres. Ainda assim, projeta alta do SSS no segundo semestre, com expansão da margem bruta e da margem Ebitda na comparação anual, além de melhora no capital de giro, sobretudo no quarto trimestre.
"Esperamos que essa combinação sustente novos ganhos de ROIC e rentabilidade. A avaliação ainda atrativa, com SBFG3 negociando a 4,6x o P/L para 2026, nos leva a reiterar Outperform", diz o banco.
Na prática, quando uma empresa usa recursos para recomprar os próprios papéis, a mensagem é que, nos preços atuais, investir em si mesma parece mais atrativo que outras alternativas. Para quem fica, o efeito é um "dividendo indireto": com menos ações em circulação, cada fatia representa uma porcentagem maior do lucro e dos proventos futuros.
O lado negativo é a queda de liquidez. Com menos papéis negociados diariamente, o volume tende a diminuir, o que pode aumentar a sensibilidade dos preços a compras e vendas maiores. Para o investidor, vale acompanhar se a confiança do BBA se confirma nos próximos balanços.