A Oncoclínicas (ONCO3) chegou a saltar 28% (R$ 4,11) nos primeiros minutos do pregão desta quarta-feira (26), liderando as altas da B3. O motivo: o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu a favor da exigibilidade de uma oferta pública de aquisição de ações (OPA) sobre a empresa.
A decisão da autarquia foi contra o entendimento da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE), que não via incidência de OPA estatutária. Para o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, a alta reflete a decisão da CVM, que reverteu por 3 a 0 a posição da área técnica. "Isso é claramente positivo para o acionista e ajuda a explicar a reação do papel", diz.
Já o sócio da Ajax Asset, Rafael Passos, considera que o impacto da notícia também ajuda a ação, com efeito positivo aos acionistas minoritários. No entanto, a companhia segue em processo de reestruturação e a disputa pela oferta ainda pode prosseguir para arbitragem pela Centaurus.
Por volta das 11h29 (horário de Brasília), ONCO3 subia 6,86% (R$ 1,87). Para Lemos, a decisão da CVM resolveu apenas a primeira questão: a obrigatoriedade da OPA. "Agora começa a discussão econômica: qual será o preço, quem terá direito a receber e quando a oferta poderá ocorrer", afirma. A gestora Centaurus ainda contesta o caso em arbitragem, lembra Lemos. "Portanto, existe valor potencial relevante, mas há incerteza sobre como e para quem será realizada", acrescenta.
Na avaliação de Passos, há dúvidas se a oferta será válida para todos os atuais acionistas, apenas para aqueles que compraram o papel 30 dias antes da data a ser marcada para a OPA ou ainda exclusivamente para os que estavam na base de acionistas antes de 24 de novembro de 2024. "Além disso, a arbitragem do Mercado da B3 também pode discutir a interpretação do estatuto e até a competência da CVM. Ou seja, a realização da OPA não deve ser imediata ou certa", explica.
A Centaurus poderá ter que pagar até R$ 16 por ação da rede de tratamentos oncológicos, a depender dos critérios aplicados. O valor é superior ao preço atual dos papéis na B3, na faixa dos R$ 1,75, após a ação saltar cerca de 52% nos últimos cinco dias. Pelas estimativas, o valor da OPA pode chegar a R$ 6 bilhões. A OPA deve considerar um prêmio de 120% sobre a maior cotação alcançada pela ação em determinado período.
Vale destacar, no entanto, que o dinheiro não iria para a Oncoclínicas, que enfrenta uma recuperação, mas sim para os acionistas que tiverem direito de vender os papéis na eventual oferta, definição essa que ainda não foi divulgada. Para quem acompanha o caso, o cenário ainda tem desdobramentos pela frente, e a arbitragem pode definir os próximos passos.