A equação do G4 para atrair um investidor estratégico, e um cheque de US$ 100 milhões
O G4 busca um investidor estratégico com aporte de pelo menos US$ 100 milhões. A empresa tem receita de R$ 500 milhões e geração de caixa de R$ 150 milhões. Tallis Gomes negocia com fundos de crossover e não pretende vender participação por valuation abaixo de R$ 5 bilhões. O investimento serviria como validação externa do valor da companhia.
Por que o G4 não aceita qualquer valuation
Tallis Gomes, sócio do G4, mantém conversas com fundos estrangeiros sobre um eventual aporte estratégico. As negociações são recorrentes, mas a matemática do negócio não é trivial. Com mais de R$ 500 milhões em receita e geração de caixa de cerca de R$ 150 milhões em 2025, Gomes não pretende abrir mão de participação por um valuation que considere abaixo do potencial da empresa.
"Se eu vender 10% do G4 por R$ 500 milhões em ações secundárias, a um valuation de R$ 5 bilhões, isso equivale a cerca de três anos de distribuição de dividendos do grupo. Ou seja: péssimo negócio", diz ao EXAME Insight.
No ano passado, o G4 distribuiu R$ 80 milhões em dividendos aos acionistas. Para 2026, a companhia projeta faturamento de R$ 750 milhões. Para Gomes, porém, crescimento de receita não é o principal indicador de sucesso.
"Receita é vaidade. É só colocar dinheiro e escalar. O segredo é o que sobra no caixa. Não é fácil achar essa modelagem", afirma.
O perfil do investidor e o cheque de US$ 100 milhões
O empresário tem clareza sobre o tamanho do cheque que busca e o perfil do investidor para o G4, desde que as peças se encaixem. Ele negocia com fundos de crossover, que investem tanto em empresas listadas quanto em companhias privadas em estágio pré-IPO, e procura um aporte de pelo menos US$ 100 milhões.
"Não existem fundos no Brasil para fazer sozinhos o investimentos que precisamos", afirma.
A escassez de investidores capazes de liderar cheques dessa magnitude reflete um mercado de venture capital mais seletivo desde a alta global dos juros. Depois da reprecificação das empresas de tecnologia, fundos passaram a priorizar rentabilidade e geração de caixa, tornando mais raras as rodadas em valores bilionários.
O papel do investidor: validação externa
Para Gomes, a entrada de um fundo de peso teria um papel que vai além do capital. A ideia é usar o investimento como uma validação externa do valor da companhia. "Trazer o mercado para dentro do grupo para atestar nosso valor de tela", diz.
A transformação do G4: de educação a tecnologia
Fundado em 2019 como uma empresa de educação executiva, o G4 hoje se enxerga como uma companhia de tecnologia. Na visão de Gomes, a inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta de produtividade e passou a ser o núcleo da operação.
Em três anos, com o uso de IA, a companhia saltou de R$ 130 milhões para R$ 508 milhões em receita, enquanto a folha de pagamento cresceu apenas 10%. Segundo Gomes, o salto de produtividade reproduz, em escala digital, o impacto que a linha de montagem de Henry Ford teve sobre a indústria automobilística no início do século XX.
G4 OS: a aposta em inteligência artificial
Agora, a empresa pretende disponibilizar ao mercado a mesma base tecnológica que sustentou esse crescimento. A principal aposta dessa estratégia é o G4 OS, sistema proprietário de inteligência artificial desenvolvido pelo grupo. A plataforma reúne diferentes modelos de linguagem e promete centralizar tarefas de gestão, automatizando processos e executando demandas a partir de uma única interface.
A proposta é substituir o uso de múltiplas ferramentas por uma plataforma que acessa dados, organiza informações e entrega tarefas prontas. A solução deve estar aberta ao público ainda este semestre. "Queremos ser a Perplexity brasileira: um distribuidor de grandes modelos de linguagem (LLMs), com capacidade de agência", afirma.
Só neste ano, a expectativa é que a nova ferramenta gere R$ 100 milhões em receita.
Educação como porta de entrada
Para Gomes, a educação continua sendo peça central da estratégia, mas mudou de função. Em vez de representar o principal negócio, passou a funcionar como porta de entrada para os demais produtos da companhia. "Antes de vender a ferramenta, preciso vender ensino de gestão, para que o cliente saiba o que fazer com ela", afirma.
Hoje, cerca de um terço da receita vem da venda de cursos. O restante é gerado por software, serviços e soluções de inteligência artificial. A ambição é consolidar o G4 como um ecossistema para pequenas e médias empresas, estratégia que, segundo Gomes, também foi reforçada nas conversas com potenciais investidores.
Perguntas Frequentes
Qual o valuation que o G4 busca?
Tallis Gomes não pretende vender participação por um valuation abaixo de R$ 5 bilhões, considerando que vender 10% por R$ 500 milhões equivaleria a três anos de dividendos.
Quanto o G4 distribuiu em dividendos?
No ano passado, o G4 distribuiu R$ 80 milhões em dividendos aos acionistas.
Qual a projeção de faturamento para 2026?
A companhia projeta faturamento de R$ 750 milhões para 2026.
O que é o G4 OS?
É um sistema proprietário de inteligência artificial que reúne diferentes modelos de linguagem para centralizar tarefas de gestão, automatizando processos em uma única interface.
Qual a receita esperada com o G4 OS?
A expectativa é que a nova ferramenta gere R$ 100 milhões em receita ainda neste ano.