A separação entre Azzas e Grupo Soma reacendeu o debate sobre fusões na bolsa brasileira. Com o fim da parceria, a Azzas será dividida em duas empresas independentes: a Arezzo&Co ficará com marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri e Hering, enquanto a Soma reunirá Animale, NV, Reserva e outras grifes. A Farm ficará em uma terceira companhia, compartilhada pelos dois grupos, abrindo caminho para uma possível venda ou IPO no futuro.
O JP Morgan avaliou a separação de forma positiva, principalmente por encerrar os conflitos de governança e permitir que cada empresa volte a ter gestão e estratégia próprias. Apesar disso, ainda não está claro como serão distribuídos caixa, dívidas e ativos, e a cisão também pode eliminar parte das sinergias criadas após a fusão. Por isso, apesar da melhora na governança e do preço atrativo das ações, o banco manteve recomendação neutra para a Azzas, com preço-alvo de R$ 24,60.
Enquanto isso, outras parcerias seguem em avaliação. A união entre Cobasi e Petz parece andar bem: o Itaú BBA retomou a cobertura do grupo com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 4,70 para o fim de 2027, potencial de valorização de 32%. O banco destaca a melhora operacional, o crescimento dos lucros e a maior geração de caixa, além da semelhança entre lojas, categorias e processos, que pode facilitar a integração e a negociação com fornecedores. Contudo, o Itaú BBA lembra que fusões carregam elevado risco de execução e que a cultura das empresas costuma ser uma das principais causas de fracasso. As vendas online já representam cerca de 41% do total e têm margens menores do que as lojas físicas.
No varejo digital, Magazine Luiza e Mercado Livre fecharam uma parceria: os produtos dos estoques próprios do Magalu, do KaBuM! e da Época Cosméticos serão vendidos dentro do marketplace do Mercado Livre. Para o Safra, o acordo é positivo para os dois lados, mas beneficia principalmente o Magazine Luiza, que passa a acessar uma plataforma com cerca de 37% do comércio eletrônico brasileiro. A parceria pode adicionar aproximadamente R$ 3 bilhões por ano ao volume de vendas do Magalu, segundo o banco. Ainda assim, o Safra manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 6.
Já a compra da SulAmérica pela Rede D'Or, concluída há quatro anos, parece entregar resultados. Segundo a Empiricus, após alguns trimestres de desaceleração, a Rede D'Or voltou aos trilhos no segundo trimestre de 2026: o Ebitda chegou a R$ 2,9 bilhões, alta de 22%, e o lucro líquido ajustado alcançou R$ 1,2 bilhão. Para a casa, os resultados reforçam a capacidade de crescimento da companhia, e RDOR3 segue na carteira recomendada.
Para o investidor de longo prazo, a leitura é de cautela: fusões e cisões carregam riscos de execução, e o mercado ainda aguarda a prova de que as sinergias prometidas virarão resultados para os acionistas. Antes de decidir, vale acompanhar os próximos balanços e as revisões de recomendação das casas como avaliar ações após fusões.