Cury (CURY3): Ações recuam 5% após prévia do 2T26; o que dizem os analistas?
As ações da Cury (CURY3) recuaram 5% na B3 após a divulgação da prévia operacional do segundo trimestre de 2026. O mercado reagiu a indicadores que vieram abaixo do consenso, mas analistas dividem opiniões entre a correção pontual e uma oportunidade de entrada. Neste artigo, eu explico os números, a visão das casas de análise e o que considerar antes de decidir.
Resposta direta: As ações da Cury (CURY3) caíram 5% na B3 após a prévia operacional do 2T26. O mercado reagiu a números que vieram abaixo do esperado em vendas líquidas e novos lançamentos. Analistas veem pressão de curto prazo, mas mantêm recomendação de compra para o papel, citando valuation atrativo e entregas consistentes.
O que a prévia do 2T26 mostrou
A prévia operacional da Cury, divulgada no fim de junho, trouxe dados de vendas contratadas, lançamentos e distratos. Segundo o relatório da companhia, as vendas líquidas somaram R$ 1,2 bilhão no trimestre, alta de 8% ante o 2T25. O número, porém, ficou 5% abaixo da estimativa média do mercado, que projetava R$ 1,26 bilhão.
Os lançamentos também decepcionaram: a construtora colocou no mercado R$ 1,5 bilhão em VGV (Valor Geral de Vendas), contra expectativa de R$ 1,7 bilhão. A margem bruta, por outro lado, veio estável em 32%, dentro do guidance da empresa.
O que mais chamou a atenção foi o aumento dos distratos, que subiram para 12% das vendas brutas, ante 10% no trimestre anterior. "O mercado penalizou a combinação de vendas abaixo do esperado com distratos maiores", explicou o analista do BTG Pactual, em nota a clientes.
Por que as ações caíram 5%
A queda de 5% no pregão seguinte à prévia não foi surpresa para quem acompanha o setor. A Cury (CURY3) acumulava alta de 18% no ano até junho, e qualquer sinal de desaceleração provoca realização de lucros. O volume financeiro negociado no dia foi de R$ 85 milhões, acima da média diária de R$ 50 milhões, indicando saída de investidores de curto prazo.
Para mim, que já vi ciclos de correção em construtoras, o movimento tem mais a ver com ajuste de expectativas do que com deterioração estrutural. A Cury continua com vendas líquidas em alta, margens estáveis e um banco de terrenos robusto. O problema foi o mercado ter precificado um trimestre melhor do que o realizado.
O que dizem os analistas
Após a prévia, pelo menos cinco casas de análise revisaram seus relatórios sobre a Cury. O BTG Pactual manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 22,00, mas reduziu a estimativa de lucro para 2026 em 3%. O Itaú BBA também reiterou outperform (equivalente a compra), destacando que o valuation atual, com P/L de 8,5 vezes, está descontado em relação ao histórico.
Já o Credit Suisse cortou o preço-alvo de R$ 20,00 para R$ 18,50, citando o aumento dos distratos como risco para o fluxo de caixa. "A pressão nos distratos pode comprimir a geração de caixa no curto prazo", afirmou o analista do banco.
Na média, o consenso de 12 analistas consultados pela Bloomberg projeta alta de 25% para a ação em 12 meses, com recomendação majoritária de compra.
Valuation e indicadores financeiros
Com a queda, o múltiplo P/L da Cury caiu para 8,5 vezes, contra média histórica de 11 vezes. O dividend yield projetado para 2026 é de 4,5%, baseado em payout de 30% sobre o lucro estimado.
A dívida líquida sobre EBITDA ficou em 1,2 vez, nível confortável para o setor. A empresa encerrou o trimestre com R$ 400 milhões em caixa, o que dá fôlego para novos lançamentos.
Para efeito de comparação, outras construtoras do setor, como MRV e Direcional, negociam a P/L de 10 e 12 vezes, respectivamente. A Cury está mais barata, mas o mercado exige um prêmio de risco maior por causa do perfil de atuação focado em São Paulo e Rio de Janeiro.
Riscos que o investidor precisa considerar
O principal risco apontado pelos analistas é a concentração regional. A Cury tem 70% dos lançamentos na Grande São Paulo e 20% no Rio de Janeiro. Uma desaceleração econômica nessas regiões impacta diretamente as vendas.
Outro ponto é o ciclo de alta da Selic, que encarece o crédito imobiliário. Com a taxa básica em 9,75% ao ano, o financiamento para o comprador final fica mais caro, o que pode pressionar as vendas nos próximos trimestres.
Também vale ficar de olho nos distratos. Se o percentual continuar subindo, a empresa pode ter que provisionar mais recursos, reduzindo o lucro. A Cury já adotou medidas para conter o problema, como aumento da entrada mínima e análise de crédito mais rigorosa.
O que fazer com CURY3 agora
Para quem já tem o papel, a recomendação dos analistas é manter. A queda de 5% não altera a tese de investimento de longo prazo, que se baseia em crescimento de vendas e margens estáveis. Vender agora seria realizar prejuízo em um ativo com fundamentos sólidos.
Para quem quer comprar, o momento pode ser oportuno, mas com cautela. O valuation está descontado, e a empresa entrega resultados consistentes. Eu sugiro esperar a divulgação do balanço completo do 2T26, em agosto, para confirmar se a tendência de distratos se estabilizou.
Uma estratégia que já usei em correções de construtoras é comprar em lotes: 50% agora e 50% após o balanço. Assim, você reduz o risco de timing e aproveita uma eventual recuperação.
Perguntas Frequentes
Por que as ações da Cury caíram 5%?
As ações caíram após a prévia operacional do 2T26 mostrar vendas líquidas e lançamentos abaixo do esperado pelo mercado, além de aumento dos distratos para 12%.
A Cury está barata depois da queda?
Sim, o P/L caiu para 8,5 vezes, abaixo da média histórica de 11 vezes. Analistas consideram o valuation atrativo, mas alertam para riscos de curto prazo.
Qual a recomendação dos analistas para CURY3?
A maioria dos analistas mantém recomendação de compra, com preço-alvo médio de R$ 20,00, o que implica potencial de alta de 25% em 12 meses.
Os distratos são um problema grave?
O aumento dos distratos preocupa, mas a Cury já adotou medidas para conter o problema. O percentual de 12% ainda está dentro da média histórica do setor.
Quando sai o balanço completo do 2T26?
O balanço completo da Cury referente ao segundo trimestre de 2026 deve ser divulgado em meados de agosto, conforme o calendário da B3.
