Cury (CURY3): Ação recua 2% na bolsa após balanço do 2T26; veja o que dizem os analistas
As ações da construtora Cury (CURY3) operam em queda nesta quarta-feira (12), cotadas a R$ 30,85, em meio à repercussão do balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26), divulgado na véspera. Por volta das 10h30 (horário de Brasília), os papéis recuavam 2% na B3, dentro do Ibovespa (IBOV). Entre os analistas, a leitura predominante é de que os resultados vieram, em geral, em linha com o esperado.
Lucro e receita: o que dizem os números do 2T26
Entre abril e junho, a Cury registrou lucro líquido de R$ 270,5 milhões, alta de 14,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre anterior, porém, houve queda de 10,7%. O lucro ficou em linha com a estimativa do Bradesco BBI, mas aproximadamente 5% abaixo do consenso de mercado.
A receita líquida atingiu R$ 1,69 bilhão, recorde para a empresa, com alta de 25,5% na base anual. O ROE (retorno sobre o patrimônio) ficou em 73,6% nos últimos 12 meses, 3,5 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período do ano anterior. O indicador foi considerado "elevado" pelo próprio BBI.
Bradesco BBI: resultados em linha, sem gatilhos para revisão
Em relatório, o BBI afirmou que, de modo geral, os resultados vieram em linha com as expectativas e não apresentaram gatilhos relevantes para revisão das estimativas. Apesar do aumento das despesas comerciais no trimestre, a casa avaliou que houve um ritmo mais acelerado de repasses e registros, o que contribuiu para a geração de caixa.
Entre abril e junho, a geração de caixa somou R$ 144,9 milhões, alta de 40,2% em um ano, no 29º trimestre consecutivo no positivo, segundo a companhia. O BBI também destacou o anúncio de R$ 190 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a R$ 0,6167878071 por ação e a um dividend yield de 2%, com pagamento previsto para 8 de setembro. No acumulado do ano, os dividendos somam R$ 490 milhões, yield de 5%.
"Mantemos a recomendação de compra para CURY3, que negocia a 6,4 vezes o lucro estimado para 2027, com crescimento médio anual esperado de 24% no lucro por ação entre 2026 e 2028 e dividend yield projetado de 10% em 2027", disse o BBI.
Safra: resultados sólidos, com melhora de margem
Na mesma linha, o Safra avaliou que a Cury apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, amplamente em linha com suas estimativas. O banco registrou crescimento de 25,5% na receita líquida na comparação anual, com melhora sequencial de 50 pontos-base (bps) na margem bruta ajustada, que chegou a 39,8%, 30 bps acima da estimativa.
Esse desempenho compensou despesas comerciais acima do esperado e um resultado financeiro líquido ligeiramente inferior às projeções. A companhia registrou geração de caixa de R$ 145 milhões e encerrou junho com alavancagem líquida de 14%, queda de 7 pontos percentuais na comparação trimestral e estabilidade em relação ao mesmo período de 2025.
"Os resultados vieram em linha com as expectativas, uma vez que a surpresa positiva na margem, impulsionada por um maior foco em precificação em meio a preocupações inflacionárias, foi parcialmente compensada por despesas comerciais mais elevadas e um resultado financeiro líquido pior", disse o banco.
O Safra mantém recomendação outperform (equivalente à compra) para CURY3, negociada a 6,4 vezes o preço sobre lucro (P/L), com dividend yield adicional projetado de 17% até o fim de 2027.
Itaú BBA: margens acima, custos sob controle
O Itaú BBA também avaliou que a Cury apresentou resultados "sólidos" no 2T26, com margens brutas 50 bps acima das estimativas, embora compensadas por despesas de vendas mais elevadas. Segundo o banco, a empresa aumentou os preços de venda para compensar o choque esperado nos custos de construção decorrente de materiais derivados de petróleo, após a disparada do conflito entre EUA e Irã há alguns meses.
"No entanto, como a inflação dos custos de construção se mostrou menos severa do que o esperado e não houve efeitos de segunda ordem significativos até o momento, esses aumentos de preços ajudaram as margens da carteira de vendas (backlog) a retornar aos níveis anteriores ao choque", ponderou a casa.
O BBA mantém recomendação outperform, considerando a Cury uma das melhores formas de exposição ao setor de habitação de baixa renda no Brasil.
Citi: resultados neutros, mas visão construtiva
O Citi apontou que a Cury apresentou resultados "neutros" no 2T26, com receita líquida de R$ 1,69 bilhão, praticamente em linha com as estimativas internas. As despesas operacionais ficaram ligeiramente acima do esperado, refletindo aceleração nos repasses de financiamento imobiliário, custos de registro e remuneração da administração.
"Margens resilientes na carteira de projetos (backlog), sólida geração de caixa e a continuidade da distribuição de proventos aos acionistas sustentam nossa visão construtiva sobre a ação, que permanece como nossa preferida no setor de construção residencial voltado à baixa renda", afirmou a casa.
O que esperar da Cury (CURY3) daqui para frente
Para nós, investidores de longo prazo, o recuo de 2% após um balanço em linha não muda o horizonte. O que sustenta a tese é a combinação de receita recorde, margens resilientes e geração de caixa consistente, além de dividendos que, no acumulado do ano, já somam R$ 490 milhões. A recomendação unânime de compra entre as quatro casas reforça a leitura de que a ação segue como uma das preferidas do setor.
Antes de decidir, vale acompanhar os próximos balanços para confirmar se a margem da carteira de projetos se sustenta e se as despesas comerciais se estabilizam. O primeiro passo, para quem ainda não tem posição, é avaliar o peso da construtora na carteira e o prazo de retorno esperado.
Perguntas Frequentes
Por que a ação da Cury caiu após o balanço do 2T26?
O recuo de 2% reflete a leitura de que os resultados vieram em linha com o esperado, sem gatilhos relevantes para revisão de estimativas. O lucro ficou 5% abaixo do consenso de mercado.
Qual foi o lucro da Cury no 2T26?
O lucro líquido foi de R$ 270,5 milhões, alta de 14,3% ano a ano, mas queda de 10,7% ante o trimestre anterior.
A Cury paga dividendos?
Sim. Foram anunciados R$ 190 milhões em dividendos intermediários, com yield de 2% e pagamento em 8 de setembro. No ano, somam R$ 490 milhões, yield de 5%.
Qual a recomendação dos analistas para CURY3?
Bradesco BBI, Safra, Itaú BBA e Citi mantêm recomendação de compra (ou outperform), com a ação negociada a 6,4 vezes o lucro estimado para 2027.
O que é o ROE da Cury?
O ROE (retorno sobre patrimônio) ficou em 73,6% nos últimos 12 meses, 3,5 pontos percentuais acima do ano anterior, considerado "elevado" pelo BBI.
