# Cury (CURY3) recua 2% após balanço do 2T26; veja análise

> Cury (CURY3) registrou queda de 2% nas ações, cotadas a R$ 30,85, após divulgar o balanço do 2T26. O lucro líquido atingiu R$ 270,5 milhões, com receita recorde de R$ 1,69 bilhão, resultados considerados em linha com as expectativas dos analistas. A desvalorização reflete a reação do mercado ao desempenho operacional da incorporadora.

*Viva Capital · Investimentos · 12 de agosto de 2026 · Henrique Salomão*

As ações da Cury (CURY3) operam em queda de 2% nesta quarta-feira (12), cotadas a R$ 30,85, após o balanço do 2T26. Analistas veem resultados em linha, com lucro de R$ 270,5 milhões e receita recorde de R$ 1,69 bilhão.

## Cury (CURY3): Ação recua 2% na bolsa após balanço do 2T26; veja o que dizem os analistas

As ações da construtora Cury (CURY3) operam em queda nesta quarta-feira (12), cotadas a R$ 30,85, em meio à repercussão do balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26), divulgado na véspera. Por volta das 10h30 (horário de Brasília), os papéis recuavam 2% na B3, dentro do Ibovespa (IBOV). Entre os analistas, a leitura predominante é de que os resultados vieram, em geral, em linha com o esperado.

## Lucro e receita: o que dizem os números do 2T26

Entre abril e junho, a Cury registrou lucro líquido de R$ 270,5 milhões, alta de 14,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre anterior, porém, houve queda de 10,7%. O lucro ficou em linha com a estimativa do Bradesco BBI, mas aproximadamente 5% abaixo do consenso de mercado.

A receita líquida atingiu R$ 1,69 bilhão, recorde para a empresa, com alta de 25,5% na base anual. O ROE (retorno sobre o patrimônio) ficou em 73,6% nos últimos 12 meses, 3,5 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período do ano anterior. O indicador foi considerado "elevado" pelo próprio BBI.

## Bradesco BBI: resultados em linha, sem gatilhos para revisão

Em relatório, o BBI afirmou que, de modo geral, os resultados vieram em linha com as expectativas e não apresentaram gatilhos relevantes para revisão das estimativas. Apesar do aumento das despesas comerciais no trimestre, a casa avaliou que houve um ritmo mais acelerado de repasses e registros, o que contribuiu para a geração de caixa.

Entre abril e junho, a geração de caixa somou R$ 144,9 milhões, alta de 40,2% em um ano, no 29º trimestre consecutivo no positivo, segundo a companhia. O BBI também destacou o anúncio de R$ 190 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a R$ 0,6167878071 por ação e a um dividend yield de 2%, com pagamento previsto para 8 de setembro. No acumulado do ano, os dividendos somam R$ 490 milhões, yield de 5%.

"Mantemos a recomendação de compra para CURY3, que negocia a 6,4 vezes o lucro estimado para 2027, com crescimento médio anual esperado de 24% no lucro por ação entre 2026 e 2028 e dividend yield projetado de 10% em 2027", disse o BBI.

## Safra: resultados sólidos, com melhora de margem

Na mesma linha, o Safra avaliou que a Cury apresentou resultados sólidos no segundo trimestre, amplamente em linha com suas estimativas. O banco registrou crescimento de 25,5% na receita líquida na comparação anual, com melhora sequencial de 50 pontos-base (bps) na margem bruta ajustada, que chegou a 39,8%, 30 bps acima da estimativa.

Esse desempenho compensou despesas comerciais acima do esperado e um resultado financeiro líquido ligeiramente inferior às projeções. A companhia registrou geração de caixa de R$ 145 milhões e encerrou junho com alavancagem líquida de 14%, queda de 7 pontos percentuais na comparação trimestral e estabilidade em relação ao mesmo período de 2025.

"Os resultados vieram em linha com as expectativas, uma vez que a surpresa positiva na margem, impulsionada por um maior foco em precificação em meio a preocupações inflacionárias, foi parcialmente compensada por despesas comerciais mais elevadas e um resultado financeiro líquido pior", disse o banco.

O Safra mantém recomendação outperform (equivalente à compra) para CURY3, negociada a 6,4 vezes o preço sobre lucro (P/L), com dividend yield adicional projetado de 17% até o fim de 2027.

## Itaú BBA: margens acima, custos sob controle

O Itaú BBA também avaliou que a Cury apresentou resultados "sólidos" no 2T26, com margens brutas 50 bps acima das estimativas, embora compensadas por despesas de vendas mais elevadas. Segundo o banco, a empresa aumentou os preços de venda para compensar o choque esperado nos custos de construção decorrente de materiais derivados de petróleo, após a disparada do conflito entre EUA e Irã há alguns meses.

"No entanto, como a inflação dos custos de construção se mostrou menos severa do que o esperado e não houve efeitos de segunda ordem significativos até o momento, esses aumentos de preços ajudaram as margens da carteira de vendas (backlog) a retornar aos níveis anteriores ao choque", ponderou a casa.

O BBA mantém recomendação outperform, considerando a Cury uma das melhores formas de exposição ao setor de habitação de baixa renda no Brasil.

## Citi: resultados neutros, mas visão construtiva

O Citi apontou que a Cury apresentou resultados "neutros" no 2T26, com receita líquida de R$ 1,69 bilhão, praticamente em linha com as estimativas internas. As despesas operacionais ficaram ligeiramente acima do esperado, refletindo aceleração nos repasses de financiamento imobiliário, custos de registro e remuneração da administração.

"Margens resilientes na carteira de projetos (backlog), sólida geração de caixa e a continuidade da distribuição de proventos aos acionistas sustentam nossa visão construtiva sobre a ação, que permanece como nossa preferida no setor de construção residencial voltado à baixa renda", afirmou a casa.

## O que esperar da Cury (CURY3) daqui para frente

Para nós, investidores de longo prazo, o recuo de 2% após um balanço em linha não muda o horizonte. O que sustenta a tese é a combinação de receita recorde, margens resilientes e geração de caixa consistente, além de dividendos que, no acumulado do ano, já somam R$ 490 milhões. A recomendação unânime de compra entre as quatro casas reforça a leitura de que a ação segue como uma das preferidas do setor.

Antes de decidir, vale acompanhar os próximos balanços para confirmar se a margem da carteira de projetos se sustenta e se as despesas comerciais se estabilizam. O primeiro passo, para quem ainda não tem posição, é avaliar o peso da construtora na carteira e o prazo de retorno esperado.

## Perguntas Frequentes

### Por que a ação da Cury caiu após o balanço do 2T26?

O recuo de 2% reflete a leitura de que os resultados vieram em linha com o esperado, sem gatilhos relevantes para revisão de estimativas. O lucro ficou 5% abaixo do consenso de mercado.

### Qual foi o lucro da Cury no 2T26?

O lucro líquido foi de R$ 270,5 milhões, alta de 14,3% ano a ano, mas queda de 10,7% ante o trimestre anterior.

### A Cury paga dividendos?

Sim. Foram anunciados R$ 190 milhões em dividendos intermediários, com yield de 2% e pagamento em 8 de setembro. No ano, somam R$ 490 milhões, yield de 5%.

### Qual a recomendação dos analistas para CURY3?

Bradesco BBI, Safra, Itaú BBA e Citi mantêm recomendação de compra (ou outperform), com a ação negociada a 6,4 vezes o lucro estimado para 2027.

### O que é o ROE da Cury?

O ROE (retorno sobre patrimônio) ficou em 73,6% nos últimos 12 meses, 3,5 pontos percentuais acima do ano anterior, considerado "elevado" pelo BBI.

---

Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/investimentos/cury-cury3-acao-recua-bolsa-apos-balanco-2t26-veja-dizem-analistas/
