O Ibovespa subiu 1,20% nesta terça-feira (8), aos 187.366,84 pontos, na contramão de Wall Street, impulsionado pelo cenário eleitoral e pela alta do petróleo. O dólar à vista caiu 0,88%, a R$ 5,0858. O índice chegou a tocar 189.487,70 pontos, maior nível desde abril.
O que explica o movimento? Pesquisas eleitorais mostraram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na Quaest, ambos têm 41% no segundo turno. No levantamento BTG Pactual/Nexus, Flávio aparece com 46% contra 45% de Lula, a primeira vez que supera o presidente numericamente desde março.
Para o economista Vitor Kayo, da Nomad, o avanço reflete o petróleo mais caro e o interesse do estrangeiro no cenário político. Ele cita também a crise institucional envolvendo o Judiciário como fator de atenção. "Mesmo com as bolsas caindo lá fora, o mercado brasileiro segue na contramão", diz.
As blue chips puxaram o índice. A Petrobras subiu com o petróleo: PETR3 avançou 2,36% (R$ 53,24) e PETR4, 2,08% (R$ 48,09). O setor de bancos ganhou 1,30%, e a Vale subiu 0,51% (R$ 79,02). Juntas, essas ações representam 50% da carteira teórica do Ibovespa.
Na ponta positiva, a MRV liderou com alta de 4,68%, a R$ 5,81, com o alívio dos juros futuros. Na negativa, a Azzas 2154 caiu 3,62%, a R$ 17,05, após a S&P cortar sua nota de crédito de "brAA+" para "brAA".
Lá fora, o conflito no Oriente Médio pressionou os mercados. Os houthis atacaram infraestrutura da Arábia Saudita, e o petróleo chegou a US$ 100. As bolsas de Nova York caíram, e os Treasuries subiram. Na Europa, o Stoxx 600 fechou estável. Na Ásia, o Nikkei caiu 1,70% e o Hang Seng, 0,38%.
Para o investidor, o recado é de cautela. A volatilidade eleitoral e externa exige atenção. O dólar em queda pode beneficiar quem viaja, mas a renda variável segue sensível a notícias. como proteger seus investimentos em cenário de volatilidade