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Alupar: R$ 10 bilhões em projetos sem frear dividendos

ResumoAlupar inicia o maior ciclo de investimentos da história, com R$ 10 bilhões alocados até 2031 em projetos de transmissão de energia. A companhia mantém a política de distribuição de dividendos, financiando a expansão por meio de estrutura de capital própria e dívida de longo prazo. A engenharia financeira preserva o fluxo de caixa para acionistas.

A Alupar, gigante de transmissão de energia, inicia o maior ciclo de investimentos de sua história: R$ 10 bilhões até 2031, sem sacrificar dividendos. Entenda a engenharia financeira.

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Alupar: R$ 10 bilhões em projetos sem frear dividendos
Foto: Viva Capital · Alupar: R$ 10 bilhões em projetos sem frear dividendos · 31 ago 2026

A Alupar, uma das maiores transmissoras de energia do Brasil, deu início ao maior ciclo de investimentos de sua história. São R$ 10 bilhões em aportes previstos até 2031 para tirar do papel 14 projetos no Brasil e em outros três países da América Latina, sem que isso signifique frear a distribuição de dividendos aos acionistas.

A empresa acumulou caixa nos últimos anos justamente para financiar essa nova fase sem sacrificar a remuneração. Hoje, a holding tem cerca de R$ 1,15 bilhão em caixa, parte usado como equity nos projetos em implantação. O restante do financiamento será levantado dentro das próprias SPEs, as sociedades de propósito específico criadas para cada empreendimento, o que separa, em boa medida, o risco e o endividamento de cada projeto do balanço da holding.

No Brasil, a companhia tem recorrido principalmente às debêntures de infraestrutura. No exterior, onde não existe instrumento equivalente, a dívida é captada no mercado, principalmente em dólares.

Dos 14 projetos em desenvolvimento, quatro ficam no Brasil e dez estão distribuídos entre Peru, Colômbia e Chile. Quando todos estiverem operacionais, devem acrescentar cerca de R$ 1,3 bilhão em Receita Anual Permitida (RAP) à companhia. Entre os projetos estão a Transmissora de Energia Central Paulistana (TECP), no Brasil, e a TCN, no Peru.

A preparação para esse ciclo começou antes de os investimentos chegarem ao pico. A Alupar tem atualmente 31 projetos de transmissão e 11 de geração em operação, que geram caixa e distribuem dividendos para a holding. Nos últimos anos, a companhia optou por preservar parte desse dinheiro na holding, originando o colchão de R$ 1,15 bilhão.

Há uma vantagem adicional na expansão internacional: os contratos no exterior são dolarizados, e a companhia procura financiar os projetos na mesma moeda das receitas, reduzindo o descasamento cambial. Quando a carteira atual estiver concluída, a expectativa é que aproximadamente 18% da receita consolidada esteja vinculada a moedas fortes. Hoje, a proteção contra inflação também está espalhada: cerca de 58% das receitas são corrigidas pelo IPCA, 24% pelo IGP-M e os 18% restantes por índices internacionais.

Mesmo com o capex de R$ 10 bilhões pela frente, a Alupar pretende preservar sua política de remuneração. O payout mínimo é de 50% do lucro regulatório, e a distribuição passou a ser trimestral em 2022. Os dividendos mais que dobraram nos últimos anos, saindo de cerca de R$ 150 milhões em 2017 para R$ 355 milhões em 2025, avanço de aproximadamente 137%. Em momentos sem oportunidades atrativas, a companhia chegou a distribuir 100% do lucro.

Não há, segundo a Alupar, um nível predeterminado de alavancagem que automaticamente abra ou feche a torneira dos dividendos. A decisão considera a geração de caixa e a estrutura de financiamento de cada projeto. Em agosto, o conselho de administração aprovou mais R$ 69,2 milhões em dividendos, referentes ao segundo trimestre, equivalentes a R$ 0,07 por ação e R$ 0,21 por unit.

No segundo trimestre, a receita líquida regulatória avançou 10,3% na comparação anual, para R$ 946 milhões. No semestre, foram R$ 1,94 bilhão, alta de 13,3%. O EBITDA regulatório somou R$ 1,52 bilhão, avanço de 11,2%. O lucro líquido, porém, caiu 14,6% no trimestre, para R$ 159 milhões, pressionado pelo resultado financeiro. Pela contabilidade societária, o lucro do semestre alcançou R$ 614,7 milhões, alta de 38,6%. Foram R$ 489,2 milhões investidos em projetos no semestre, e a relação entre dívida líquida e EBITDA regulatório estava em 3,2 vezes, abaixo das 3,4 vezes de um ano antes.

análise de dividendos de empresas de energia como funciona o financiamento via debêntures de infraestrutura

“A Alupar, gigante de transmissão de energia, inicia o maior ciclo de investimentos de sua história: R$ 10 bilhões até 2031, sem sacrificar dividendos. Entenda a engenharia financeira.”
Henrique Salomão · Editor(a) Investimentos · Viva Capital PRO
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