A europeia The Exploration Company (TEC), que disputa espaço com a SpaceX, de Elon Musk, no transporte espacial reutilizável, levantou US$ 450 milhões em uma rodada Série C. O aporte, anunciado nesta terça-feira (8), é o maior Série C já feito por uma empresa espacial europeia e eleva para cerca de US$ 680 milhões o total captado desde a fundação, em 2021.
A rodada foi liderada por Bessemer Venture Partners, Atomico e Scaleup Europe Fund, com participação de investidores que já estavam no capital, como Balderton, Plural, Cherry e Red River West. A Bessemer também passa a ter assento no conselho.
O dinheiro será usado em duas frentes: acelerar a cápsula reutilizável Nyx, que deve ser preparada para acoplar à Estação Espacial Internacional (ISS), e avançar no motor Storm, de alto empuxo, base da ambição de criar um lançador europeu reutilizável.
A TEC não compete com a SpaceX em escala. A empresa de Musk já opera frota reutilizável e domina lançamentos orbitais. A estratégia da TEC é outra: construir uma plataforma europeia de transporte espacial reutilizável, levando cargas à órbita e trazendo-as de volta. A aposta tem dimensão estratégica: a empresa argumenta que o acesso ao espaço está concentrado em poucos fornecedores e que governos precisam de alternativas.
O investidor Alex Ferrara, da Bessemer, afirmou que a autonomia espacial é cada vez mais relevante para a segurança europeia e que o continente não pode depender indefinidamente de terceiros.
O principal produto é a Nyx, cápsula reutilizável para transportar cargas a estações espaciais e retornar à Terra. Ela foi desenhada para ser "launcher-agnostic", ou seja, independente do foguete que a coloca em órbita. O próximo passo é uma demonstração orbital: viajar até a ISS, acoplar e voltar. No futuro, a Nyx pode ser adaptada para astronautas.
Já o Storm é o coração da ambição de longo prazo. A ideia é que ele sirva de base a um lançador pesado reutilizável, capaz de colocar até 40 toneladas em órbita baixa. O projeto ainda está em fase inicial: a rodada permitirá testes de pré-queimadores, câmara de combustão em escala reduzida e, depois, um motor completo. Ou seja, a TEC ainda precisa transformar protótipos em sistema operacional, desafio que a SpaceX levou anos para superar.
A empresa afirma ter mais de US$ 2 bilhões em contratos e compromissos comerciais, incluindo a Agência Espacial Europeia (ESA) e acordos com estações comerciais. Também fechou um acordo com a Nasa, sendo a primeira startup espacial europeia a assinar um Space Act Agreement. A companhia tem mais de 550 funcionários na Europa, EUA e Emirados Árabes.
Para quem acompanha o setor, o movimento mostra que a Europa quer reduzir a dependência de lançadores externos. Ainda há um longo caminho entre engenharia e operação, mas o aporte dá fôlego para a TEC tentar. corrida espacial privada