# Casas Bahia (BHIA3): pedido de minoritários contra debêntures

> Casas Bahia (BHIA3) enfrenta pedido de acionistas minoritários na Justiça de São Paulo para suspender a conversão de debêntures da 2ª série da 11ª emissão durante a recuperação judicial. A operação envolve até 37,9 milhões de papéis e tem janela aberta até 30 de setembro.

*Viva Capital · Investimentos · 11 de setembro de 2026 · Adriana Buarque*

Acionistas minoritários da Casas Bahia (BHIA3) pedem na Justiça de SP a suspensão da conversão de debêntures da 2ª série da 11ª emissão durante a recuperação judicial. A janela vai até 30 de setembro e envolve até 37,9 milhões de papéis.

Acionistas minoritários da Casas Bahia (BHIA3) foram à Justiça de São Paulo pedir a suspensão da conversão em ações das debêntures da 2ª série da 11ª emissão da companhia durante o processo de recuperação judicial da varejista.

O pedido de tutela de urgência foi apresentado pelo acionista minoritário Rafael Ferri e pela Associação de Minoritários e Shareholder Activism, representados pelo escritório Barreto Dolabella. A ação tramita na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível da Comarca de São Paulo.

A janela de conversão prevê até 37,9 milhões de debêntures e vai até 30 de setembro. Depois desse prazo, a Casas Bahia ainda tem 45 dias para aprovar a quantidade pelo conselho e entregar as ações, caso a conversão se concretize.

## O que os minoritários alegam

Os autores sustentam que a operação deve ser interrompida até o encerramento da recuperação judicial, para que os créditos permaneçam submetidos às regras do processo e ao plano que será discutido com os demais credores. Na avaliação do escritório Barreto Dolabella, a continuidade da conversão pode impactar os demais credores e os acionistas minoritários.

A petição argumenta que os debenturistas, que possuem créditos quirografários sujeitos à recuperação judicial, poderiam receber ações negociáveis em bolsa antes da definição do plano, enquanto os demais credores da mesma classe estariam sujeitos às condições que vierem a ser estabelecidas no processo. Os autores também apontam risco de diluição dos acionistas minoritários.

Em comunicado enviado ao Money Times, o escritório pondera ainda sobre o impacto da operação na estrutura acionária da companhia. Segundo a petição, o saldo de 189,5 milhões de debêntures da 2ª série corresponde a aproximadamente R$ 703 milhões, e sua conversão resultaria na emissão de novas ações em volume superior ao atual free float da companhia.

O documento afirma que as ações foram precificadas contratualmente em R$ 3,71, enquanto a cotação indicada na petição era de aproximadamente R$ 0,64. Na visão dos requerentes, isso reforçaria o risco de diluição dos atuais acionistas, segundo o escritório.

O escritório Barreto Dolabella pede que a Justiça suspenda a eficácia das conversões e dos respectivos aumentos de capital até o encerramento da recuperação judicial ou até que o próprio juízo analise especificamente as questões levantadas. A petição sustenta que a medida tem caráter cautelar e busca preservar a situação atual enquanto os questionamentos sobre a operação são examinados.

Procurada pelo Money Times, a Casas Bahia afirmou que não irá comentar o assunto.

## Recuperação judicial e prejuízo bilionário

A Casas Bahia anunciou, em 16 de agosto, que entrou com pedido de recuperação judicial, em conjunto com algumas subsidiárias. A empresa afirmou que o pedido ocorre em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras, atribuindo o cenário, entre outros fatores, a um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro.

Além disso, a companhia reportou no balanço do segundo trimestre do ano prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. O valor é 18 vezes maior do que o saldo negativo de R$ 555 milhões apresentado no mesmo período do ano anterior.

De acordo com a varejista, o resultado foi impactado em R$ 9,1 bilhões por eventos não recorrentes, como contratos não performados, baixa de ativos, gastos com reestruturação e Imposto de Renda (IR) diferido.

Para quem acompanha o varejo de perto, o movimento dos minoritários é o tipo de detalhe que costuma passar batido no noticiário, mas mexe direto com o bolso de quem tem a ação. Acompanhar o desfecho na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais é o próximo passo prático para investidor e credor que querem entender o tamanho real do impacto.

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/investimentos/casas-bahia-bhia3-rafael-ferri-associacao-minoritarios-entram-pedido-contra-debe/
