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Cadillac de R$ 3 mi liga ex-sócio da Fictor a fundo e preso da PF

ResumoO Cadillac Escalade 2025, avaliado em R$ 3 milhões, conecta Rafael Paixão, ex-sócio da Fictor, a um FIDC e a uma empresa vinculada a um preso da Polícia Federal. A investigação aponta o veículo como elo material em uma estrutura financeira sob suspeita. O caso envolve transações que ligam o patrimônio de Paixão a operações investigadas pela PF.

Um Cadillac Escalade 2025, avaliado em cerca de R$ 3 milhões, colocou Rafael Paixão, ex-sócio da Fictor, no centro de uma estrutura que envolve um FIDC e uma empresa ligada a um preso da PF. Entenda o caso.

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Foto: Viva Capital · Itaú (ITUB4), Axia (AXIA3) e outras 8 ações para julho, segu · 03 ago 2026

O caso do Cadillac de R$ 3 milhões e a estrutura financeira

Um Cadillac Escalade 2025, avaliado em cerca de R$ 3 milhões, colocou Rafael Paixão, ex-sócio da Fictor, no centro de uma estrutura financeira que envolve uma empresa ligada a um preso pela Polícia Federal (PF) e um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios). Segundo documentos de um processo na Justiça Federal de Santos, Paixão tenta reaver o veículo, bloqueado em uma investigação que envolve a Quadri, companhia que tem como sócia-administradora Clara Ramos de Souza Morgado, esposa de Rodrigo de Paula Morgado. Morgado apareceu recentemente em outra investigação da PF, que apura o uso de uma concessionária de veículos de luxo para lavar recursos supostamente ligados a organizações criminosas.

Como funcionava a operação com o FIDC

Os documentos apresentados pelo próprio Paixão indicam que, antes da venda, o Cadillac pertencia à Quadri. Paixão afirma ter adquirido o veículo "de forma onerosa e de boa-fé", por meio de contrato firmado com uma empresa intermediária. O pagamento teria sido dividido em 24 parcelas de R$ 125 mil. Após a compra, os direitos relacionados ao contrato foram cedidos ao Araguaia Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC), administrado pela Planner e gerido pela Redwood, empresas do grupo B100. Como garantia da operação, o próprio Cadillac foi colocado em alienação fiduciária.

Na prática, esse tipo de estrutura permite que o principal vendedor (a Quadri) antecipe o recebimento das parcelas ao vender o crédito ao fundo. O comprador passa a dever ao FIDC, enquanto o veículo permanece como garantia. A cessão de recebíveis, por si só, é comum no mercado de crédito estruturado. No entanto, os documentos do processo não permitem comprovar integralmente os pagamentos realizados, a origem do veículo e o contexto das investigações envolvendo pessoas ligadas ao negócio.

O que a documentação revela (e o que não revela)

A documentação apresentada pela defesa não permite reconstruir integralmente a movimentação dos cerca de R$ 3 milhões. Em vez dos 24 boletos e dos respectivos comprovantes de pagamento, foram anexadas apenas capturas de tela de três pagamentos. A reportagem não conseguiu contato com Rafael Paixão e com a Quadri. A Planner não respondeu até a publicação.

A relação com a Operação Fallax e a Fictor

A combinação de fatores observada na operação do Cadillac reúne elementos que lembram os descritos pela PF na Operação Fallax. O fundador da Fictor, Rafael Góis, foi alvo da primeira fase da operação. Segundo a Polícia Federal, uma organização criminosa teria atuado mediante a cooptação de funcionários de instituições financeiras e o uso de empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos. Há cerca de uma semana, a Justiça de São Paulo determinou o compartilhamento das provas da investigação com o processo de recuperação judicial da Fictor e ordenou uma análise detalhada dos fluxos financeiros do grupo.

Segundo a investigação, o esquema seria baseado em empresas de fachada, contabilidades fabricadas, pagamentos cruzados de boletos, transferências internas e registros contábeis destinados a criar uma aparência artificial de faturamento e capacidade financeira. Parte dos recursos circulava entre empresas antes de ser convertida em bens de luxo e criptoativos, dificultando seu rastreamento. A investigação atribui à Fictor um papel central na engrenagem, apontando que o grupo teria atuado como núcleo financeiro responsável por irrigar empresas utilizadas para movimentar e ocultar recursos.

O que dizem as defesas e o MPF

A Fictor afirmou, na época, que não tinha conhecimento de qualquer relação com a organização criminosa mencionada na investigação e disse que prestaria esclarecimentos após ter acesso aos elementos do inquérito. Em manifestação apresentada no processo, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que a combinação entre intermediação empresarial, cessão de direitos creditórios e alienação fiduciária pode dificultar a rastreabilidade patrimonial. O MPF também destacou que Paixão não promoveu imediatamente a transferência do veículo perante o órgão de trânsito, circunstância que, segundo eles, enfraquece a alegação de que a aquisição ocorreu de forma plenamente regular. O órgão também defendeu a manutenção da indisponibilidade do Cadillac.

O Araguaia FIDC e a concentração de cotistas

O Araguaia, como mencionado, é um fundo administrado pela Planner. Dados da CVM mostram que o Araguaia FIDC possuía patrimônio líquido de aproximadamente R$ 780 milhões em junho deste ano, ante R$ 470,1 milhões no mesmo mês de 2025. O fundo possui estrutura concentrada. Uma de suas subclasses tem apenas dois cotistas pessoas físicas, enquanto a cota subordinada pertence ao Araguaia Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado, também administrado pela Planner e gerido pela Redwood. Esse multimercado também possui apenas dois cotistas pessoas físicas, responsáveis por 100% do patrimônio. Seu patrimônio saltou de R$ 38,3 milhões em junho do ano passado para R$ 233,1 milhões neste ano. Em junho de 2026, cerca de R$ 197 milhões (aproximadamente 84% do patrimônio) estavam aplicados no Araguaia FIDC. Os informes públicos da CVM, contudo, não permitem identificar se Rafael Paixão, pessoas ligadas à Fictor ou terceiros envolvidos na operação do Cadillac figuram entre os cotistas dos fundos.

Perguntas Frequentes

O que é um FIDC?

Um FIDC é um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, que compra recebíveis de empresas, como parcelas de vendas, e antecipa o pagamento ao vendedor. No caso, o fundo Araguaia adquiriu os direitos sobre o contrato de compra do Cadillac.

Quem é Rafael Paixão?

Rafael Paixão é ex-sócio da Fictor, fundo de investimento que tentou comprar o Banco Master em novembro do ano passado. Ele afirma ter comprado o Cadillac de boa-fé, por meio de contrato com uma empresa intermediária.

O que é a Operação Fallax?

A Operação Fallax é uma investigação da Polícia Federal que apura o uso de empresas de fachada para movimentar recursos ilícitos. O fundador da Fictor, Rafael Góis, foi alvo da primeira fase.

Por que o Cadillac foi bloqueado?

O veículo foi bloqueado em uma investigação que envolve a Quadri, empresa ligada a Rodrigo de Paula Morgado, preso em outra investigação da PF sobre lavagem de dinheiro. A Justiça de Santos analisa o caso.

A Planner se manifestou?

A Planner não respondeu até a publicação da reportagem original. A reportagem também não conseguiu contato com Rafael Paixão e com a Quadri.

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Adriana Buarque · Editor(a) Investimentos · Viva Capital PRO
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