Braskem (BRKM5): Melhora nos spreads deve favorecer resultado, diz BB Investimentos
O BB Investimentos avalia que a Braskem (BRKM5) deve apresentar melhora de rentabilidade no segundo trimestre de 2026, na comparação trimestral, impulsionada pela recuperação dos spreads petroquímicos. Por outro lado, os desafios estruturais do setor ainda limitam uma retomada mais consistente. A recomendação segue Neutra.
Resposta direta: O BB Investimentos projeta melhora de rentabilidade da Braskem no 2T26, puxada pela recuperação dos spreads petroquímicos, com alta de 69% em resinas e 67% em principais químicos no Brasil. Ainda assim, a recomendação é Neutra, com risco-retorno desfavorável.
O que dizem os dados operacionais do 2T26
A Braskem informou queda de vendas de principais químicos (5%), resinas (8%) e polietileno verde (19%) no Brasil. Na Europa e nos Estados Unidos, o recuo foi de 1%; no México, a queda chegou a 20%.
Os spreads petroquímicos, diferença entre o preço do produto final e o custo da matéria-prima, dispararam no trimestre. No Brasil, alta de 69% em resinas e 67% em principais químicos. Nos EUA e Europa, crescimento de 24%; no México, 98%.
Para o analista Daniel Cobucci, os dados operacionais do 2T26 mostram volumes pressionados e baixa utilização das plantas, refletindo a demanda ainda fraca. Por outro lado, a alta dos spreads de resinas e químicos, em um cenário de maior volatilidade internacional após os conflitos no Oriente Médio, deve trazer impacto positivo para os resultados.
Recuperação diferente da do 1T26
Segundo o banco, o trimestre marca uma recuperação diferente da observada no início do ano. Enquanto o 1T26 teve melhora baseada em maior utilização das unidades, o 2T26 deve ter como principal vetor a expansão de margens.
O BB Investimentos destaca que a recuperação ainda depende de mudanças estruturais, como melhora no equilíbrio entre oferta e demanda global, maior competitividade de custos e redução das pressões sobre a operação mexicana.
Números por região
No Brasil, a taxa de utilização subiu 1 ponto percentual no trimestre, para 70%. As vendas de resinas recuaram 2% na comparação trimestral e 8% em um ano, pressionadas pelas importações. Em contrapartida, os spreads de resinas cresceram 82% e os de principais químicos avançaram 98%.
Nos Estados Unidos e Europa, a utilização caiu para 76%, afetada por paradas programadas, mas os volumes vendidos ficaram estáveis.
Já no México, a operação continuou como principal ponto de pressão, com a taxa de utilização recuando para 43% e as vendas caindo 11%.
Governança e reestruturação financeira
O BB Investimentos também avalia como positivos os avanços recentes em governança, com o acordo de acionistas entre Petrobras (PETR3;PETR4) e IG4, além do processo de mediação com credores.
No entanto, ressalta que a elevada alavancagem e as incertezas sobre a reestruturação financeira continuam pesando sobre a tese de investimento.
Recomendação e desempenho das ações
O banco manteve recomendação Neutra para as ações da Braskem, considerando que a relação risco-retorno permanece desfavorável.
Os papéis da companhia acumulam queda de 34% nos últimos 12 meses, enquanto o Ibovespa avança 32% no período. Nesta sexta-feira (31), as ações recuavam pouco 0,5%.
Para quem acompanha a tese, o ponto de atenção é a diferença entre a melhora operacional de curto prazo e os gargalos estruturais. A expansão de margens ajuda, mas a alavancagem e a operação mexicana seguem como contraponto.
Perguntas Frequentes
O que são spreads petroquímicos?
Spreads petroquímicos são a diferença entre o preço do produto final da Braskem e o custo da matéria-prima. No 2T26, eles subiram 69% em resinas e 67% em principais químicos no Brasil.
Por que o BB Investimentos manteve recomendação Neutra?
Porque, apesar da melhora de spreads, a elevada alavancagem e as incertezas sobre a reestruturação financeira ainda pesam sobre a tese de investimento, deixando o risco-retorno desfavorável.
Como a Braskem se saiu no México?
A operação mexicana segue como principal ponto de pressão: a taxa de utilização recuou para 43% e as vendas caíram 11% no trimestre.
O que mudou entre o 1T26 e o 2T26?
No 1T26, a melhora veio da maior utilização das unidades. No 2T26, o principal vetor deve ser a expansão de margens, com spreads mais altos.
Qual a variação das ações da Braskem em 12 meses?
As ações acumulam queda de 34% nos últimos 12 meses, enquanto o Ibovespa avança 32% no período.
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