A cada trimestre, a XP Investimentos revisa sua carteira de ações e aponta quais papéis têm o melhor custo-benefício para o investidor. Para o segundo trimestre de 2026, o relatório da casa destacou três gigantes bancários, Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11), mas apenas um deles recebeu recomendação de compra. Os outros dois ficaram com classificação neutra. Entendo que, em um cenário de juros ainda elevados e inadimplência controlada, a escolha faz diferença no bolso.
Entre Bradesco (BBDC4), Itaú (ITUB4) e Santander (SANB11), a XP Investimentos aponta o Itaú (ITUB4) como o único ganhador para o 2T26. A recomendação se baseia em valuation atraente, maior eficiência operacional e consistência no pagamento de dividendos. Os outros dois papéis receberam classificação neutra.
Por que a XP escolheu o Itaú (ITUB4) para o 2T26
A XP Investimentos justifica a preferência pelo Itaú com base em três pilares. Primeiro, o valuation do papel está descontado em relação à média histórica, com um P/L (preço sobre lucro) projetado de 7,5 vezes para 2026. Segundo, o banco mantém o maior índice de eficiência entre os pares, ou seja, gasta menos para gerar receita. Terceiro, o Itaú distribuiu R$ 12,3 bilhões em dividendos e JCP no primeiro semestre de 2026, montante 8% superior ao mesmo período de 2025.
Segundo o relatório da XP, a expectativa é que o lucro líquido do Itaú cresça entre 6% e 8% no 2T26 na comparação anual, impulsionado pela expansão da carteira de crédito e pela margem financeira líquida. O banco também se beneficia de uma base de clientes de alta renda, que tende a ser menos sensível ao ciclo de crédito.
Bradesco (BBDC4): neutro, com ressalvas
O Bradesco (BBDC4) recebeu classificação neutra da XP para o 2T26. O principal motivo é o custo de captação mais elevado, que comprime a margem líquida. A XP estima que o banco terá um crescimento de lucro mais modesto, entre 2% e 4% no trimestre, abaixo do Itaú.
Outro ponto de atenção é a inadimplência na carteira de pessoa física, que subiu 0,3 ponto percentual nos últimos 12 meses, segundo dados do próprio banco. A XP recomenda esperar uma melhora nos indicadores de eficiência antes de aumentar a exposição ao papel. Para quem já tem o ativo, a recomendação é manter, mas não aumentar a posição.
Santander (SANB11): neutro, à espera de resultados
O Santander (SANB11) também ficou com classificação neutra. A XP aponta que o banco tem potencial de crescimento, mas os resultados do 2T26 ainda não devem refletir as iniciativas de redução de custos anunciadas no início do ano. O lucro esperado fica estável na comparação anual, com leve alta de 1% a 3%.
O dividend yield projetado para o Santander em 2026 é de 5,8%, abaixo dos 6,5% do Itaú. A XP considera o papel interessante para quem busca exposição ao setor, mas não vê gatilhos de curto prazo que justifiquem uma recomendação de compra neste momento.
Valuation comparativo: como os três bancos se posicionam
Para ajudar na decisão, organizei um comparativo com os principais indicadores projetados para 2026, com base no relatório da XP:
| Indicador | Itaú (ITUB4) | Bradesco (BBDC4) | Santander (SANB11) | |-----------|---------------|-------------------|---------------------| | P/L projetado 2026 | 7,5x | 8,2x | 9,0x | | Dividend Yield estimado | 6,5% | 5,2% | 5,8% | | Crescimento esperado do lucro (2T26 vs 2T25) | 6% a 8% | 2% a 4% | 1% a 3% | | Recomendação XP | Compra | Neutro | Neutro |
Os dados mostram que o Itaú combina o menor múltiplo e o maior retorno em dividendos, o que sustenta a recomendação de compra.
Dividendos e JCP: o que esperar de cada banco no 2T26
A política de dividendos é um dos fatores que mais pesam na recomendação da XP. O Itaú confirmou que manterá o payout entre 50% e 55% do lucro líquido ajustado para 2026. No primeiro semestre, distribuiu R$ 12,3 bilhões, valor que inclui JCP.
O Bradesco, por sua vez, tem um payout projetado de 45%, mas a base de lucro menor reduz o valor absoluto dos proventos. O Santander mantém a política de distribuir 50% do lucro, mas o crescimento mais lento limita o dividend yield.
Para quem investe pensando em renda recorrente, a recomendação de compra do Itaú faz sentido: o banco combina maior lucro com uma política consistente de distribuição.
Riscos e pontos de atenção
Nenhum investimento é isento de riscos. A XP destaca que o cenário macroeconômico continua desafiador para o setor bancário. A Selic permanece em dois dígitos, o que pressiona a inadimplência e o custo de captação. Além disso, a competição com fintechs e bancos digitais reduz as margens operacionais.
No caso específico do Itaú, o risco é de desaceleração econômica maior que a esperada, o que poderia elevar a inadimplência acima das projeções. Para o Bradesco, a reestruturação interna ainda não mostrou resultados concretos. Já o Santander precisa acelerar a entrega de eficiência operacional.
Vale a pena seguir a recomendação da XP?
A XP Investimentos é uma das maiores corretoras independentes do Brasil, com uma equipe de análise reconhecida no mercado. A recomendação de compra para o Itaú (ITUB4) no 2T26 é baseada em fundamentos sólidos e valuation atraente. No entanto, lembro que cada investidor tem um perfil e objetivos diferentes. Antes de tomar qualquer decisão, sugiro consultar um assessor de investimentos e avaliar se o papel se encaixa na sua estratégia.
Para quem já tem ações dos três bancos, a recomendação da XP sugere aumentar a exposição ao Itaú e manter as posições em Bradesco e Santander, sem pressa de vender.
Perguntas Frequentes
Qual a recomendação da XP para Bradesco (BBDC4) no 2T26?
A XP classifica o Bradesco (BBDC4) como neutro para o 2T26. O banco enfrenta custo de captação elevado e crescimento de lucro mais lento que o Itaú.
O Santander (SANB11) é uma boa opção para dividendos em 2026?
O dividend yield projetado do Santander é de 5,8%, abaixo dos 6,5% do Itaú. A XP recomenda neutro, aguardando melhora nos resultados.
Por que o Itaú (ITUB4) é o único com recomendação de compra?
O Itaú combina valuation descontado (P/L de 7,5x), maior eficiência operacional e crescimento de lucro entre 6% e 8% no 2T26, além do maior dividend yield entre os três.
Qual o risco de investir em ações de bancos agora?
Os principais riscos são a Selic elevada, que pressiona inadimplência, e a concorrência com fintechs. O cenário macroeconômico pode afetar o lucro dos bancos.
Devo vender Bradesco e Santander para comprar Itaú?
A recomendação da XP é neutra para ambos, ou seja, não há pressa para vender. Mas quem busca maior potencial de retorno no 2T26 pode considerar realocar parte da posição para o Itaú.