O Bank of America (BofA) atualizou o portfólio de ações para a América Latina e fez uma "dança das cadeiras" nos ativos. No Brasil, a preferência do banco segue para bancos selecionados, como Bradesco (BBDC) e Itaú (ITUB4), além de Vale (VALE), que parecem mais bem posicionados para um ambiente de crédito desafiador e risco relativamente baixo em um cenário de Selic elevada.
O banco retirou a Localiza (RENT3) da lista, citando falta de catalisadores, e adicionou a Motiva (MOTV3), devido ao valuation atrativo. Ajustes como esse mostram como o BofA está realocando capital entre setores, priorizando empresas líquidas de grande capitalização capazes de gerar fluxo de caixa em um ambiente de juros altos por mais tempo.
Por ora, o BofA trabalha com uma Selic terminal de 13,75% em 2026. No entanto, avalia que, após dados mais benignos de inflação e desaceleração econômica, a aposta por mais cortes no juro básico ganha força. Essa visão sustenta a preferência por papéis menos sensíveis ao ciclo de crédito.
Para o Brasil, o banco mantém recomendação marketweight (neutra), refletindo perspectiva desafiadora para as taxas de juros e expectativas mais fracas para resultados corporativos. "A incerteza fiscal após as eleições continua sendo a principal preocupação", acrescenta a instituição.
Ainda assim, o BofA reconhece que a visão neutra pode ser desafiada por resultados eleitorais binários e pela percepção do mercado sobre as propostas dos candidatos. Ou seja, o cenário pode mudar rapidamente dependendo do desfecho político.
Em resumo: Bradesco, Itaú e Vale seguem como apostas defensivas do BofA em um cenário de juros altos, enquanto a realocação para Motiva indica busca por valuation. Para quem investe, o recado é de cautela: o banco não vê gatilhos claros para uma virada otimista no curto prazo, e a volatilidade deve continuar.
ações recomendadas pelo BofA cenário de Selic elevada