Bitcoin a US$ 100 mil? CIO da Hashdex vê mais dois meses de bear market seguidos de três anos de recuperação
O mercado de criptomoedas ainda deve enfrentar mais dois a três meses de cenário negativo, após o bitcoin sair da máxima de US$ 126 mil, registrada em outubro de 2025, para a faixa dos US$ 60 mil em menos de um ano. Samir Kerbage, Chief Investment Officer (CIO) da Hashdex, avalia que, caso o ciclo histórico da criptomoeda se repita, o mercado pode entrar em uma nova recuperação pelos próximos três anos.
Resposta direta: Sim, o bitcoin pode chegar a US$ 100 mil, mas não no curto prazo. O CIO da Hashdex, Samir Kerbage, projeta mais dois a três meses de bear market, seguidos de três anos de recuperação. Ele vê o bitcoin oscilando entre US$ 50 mil e US$ 100 mil no restante de 2026, com alta volatilidade. Uma retomada das máximas históricas deve levar de um a dois anos.
Por que o bitcoin caiu: os três fatores da correção
Segundo Kerbage, a queda recente do bitcoin pode ser explicada pela combinação de três fatores: o ciclo histórico de quatro anos da criptomoeda, o ambiente macroeconômico de juros elevados e a migração do capital de risco para empresas de inteligência artificial (IA).
O executivo afirma que o bitcoin apresenta um ciclo de quatro anos de forma consistente ao longo dos últimos 15 anos. "O fato é que, a partir de outubro do ano passado, quando justamente completou-se aquele ciclo de quatro anos, a gente viu uma correção relevante no mercado cripto."
Além do fator cíclico, a manutenção de juros elevados nas principais economias do mundo reduziu o apetite por ativos de risco. Kerbage lembra que grande parte da correção de cripto este ano aconteceu na semana da nomeação do novo chairman do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh. O indicado de Donald Trump mudou o sentimento do mercado em relação ao futuro dos juros nos Estados Unidos (EUA). "O ambiente de juros mais altos por mais tempo tende a ser negativo para ativos de risco."
O terceiro fator é a concentração dos investimentos em IA. "A bolha de IA continua crescendo e inflando. O pouco de liquidez e de apetite para risco que ainda existe no mercado está indo para essa tese."
Fundamentos em fortalecimento: a visão de longo prazo
Apesar da correção dos preços, o CIO da Hashdex avalia que os fundamentos do mercado de criptomoedas continuam se fortalecendo. O avanço da clareza regulatória nos EUA, o crescimento da tokenização de ativos, a expansão das stablecoins e o interesse maior de grandes instituições financeiras pelo setor reforçam a tese de longo prazo para os criptoativos.
Bancos e gestoras ao redor do mundo já passaram a estruturar áreas dedicadas à tokenização e stablecoins, enquanto o desenvolvimento da infraestrutura do setor continua avançando mesmo em um cenário de menor interesse dos investidores. "Enquanto o mercado está nesse marasmo e não está olhando para cripto, a tese de cripto, do ponto de vista dos fundamentos, está ficando cada vez mais forte. Essa desconexão entre sentimento, preço e fundamento está parecendo uma 'baita' oportunidade."
Cenário para 2026: volatilidade e faixa de preço
Para o restante de 2026, Kerbage evita projeções otimistas para o curto prazo e espera um período de elevada volatilidade. Segundo ele, o bitcoin pode oscilar dentro de uma faixa de US$ 50 mil e US$ 100 mil.
O executivo considera improvável uma nova queda para os níveis observados em ciclos anteriores. "Não acho que a gente vai ver o Bitcoin de novo a US$ 40 mil, US$ 30 mil. Uma correção mais acentuada do que isso está fora do meu radar."
Por outro lado, também não espera uma retomada rápida das máximas históricas. "Esse ciclo se repetindo leva um tempo para ele voltar aos US$ 120 mil, aos US$ 150 mil. Eu olharia isso mais para um horizonte de um a dois anos do que de seis meses."
Bitcoin é só a ponta do iceberg: as outras oportunidades
Para Kerbage, limitar a discussão sobre criptomoedas ao bitcoin equivale a resumir toda a internet ao e-mail no fim dos anos 1990. "Resumir isso tudo à moeda ou só ao bitcoin seria como resumir a internet a e-mail."
O executivo explica que o bitcoin possui uma tese específica de reserva digital de valor, enquanto outras redes podem capturar o crescimento de aplicações baseadas em blockchain. "Você tem as plataformas de contratos inteligentes, ethereum, solana, hyperliquid, que funcionam como uma nova camada da internet para registrar ativos."
Segundo Kerbage, a tokenização de ativos, o avanço das stablecoins e a integração entre IA e blockchain devem impulsionar essas plataformas nos próximos anos. Ao ser questionado sobre qual projeto melhor representa a nova fase do mercado, ele cita a hyperliquid, destacando o modelo econômico do protocolo. "Tem um modelo de negócio que, de fato, cria valor para o token, que faz com que a adoção da rede vire valor para o token."
Ainda assim, a estratégia da Hashdex continua sendo priorizar uma exposição diversificada ao setor. "A nossa tese principal é que você tem que ter exposição a esse mercado de forma diversificada, que é muito cedo para escolher os vencedores."
Para quem planeja o futuro financeiro da família, a leitura de Kerbage reforça um princípio: decisões de longo prazo não se tomam no pico da euforia nem no vale do pessimismo. O ciclo de quatro anos do bitcoin, os juros globais e a corrida por IA são variáveis que pedem paciência e diversificação. Antes de alocar capital em cripto, vale revisar o horizonte de vida e os objetivos familiares. Começar cedo, com exposição diversificada e visão de longo prazo, segue sendo o caminho mais racional. como diversificar investimentos em cripto planejamento financeiro para aposentadoria
Perguntas Frequentes
O bitcoin vai chegar a US$ 100 mil em 2026?
O CIO da Hashdex projeta que o bitcoin pode oscilar entre US$ 50 mil e US$ 100 mil no restante de 2026, com elevada volatilidade. Uma retomada das máximas históricas, como US$ 120 mil ou US$ 150 mil, deve levar de um a dois anos.
Quanto tempo dura o bear market do bitcoin?
Segundo Samir Kerbage, o mercado deve enfrentar mais dois a três meses de cenário negativo, antes de uma possível recuperação que pode durar três anos.
Por que o bitcoin caiu de US$ 126 mil para US$ 60 mil?
A queda é explicada por três fatores: o ciclo histórico de quatro anos da criptomoeda, o ambiente de juros elevados nas principais economias e a migração do capital de risco para empresas de inteligência artificial.
O bitcoin pode cair para US$ 40 mil ou US$ 30 mil?
O CIO da Hashdex considera improvável uma nova queda para esses níveis. "Uma correção mais acentuada do que isso está fora do meu radar", afirmou.
Quais criptomoedas além do bitcoin são interessantes?
Kerbage cita plataformas de contratos inteligentes como ethereum, solana e hyperliquid, que funcionam como uma nova camada da internet para registrar ativos. A hyperliquid é destacada pelo modelo econômico que cria valor para o token.
