Bitcoin (BTC) em disparada: até onde a criptomoeda pode chegar?
O bitcoin (BTC) voltou a ganhar força e alcançou a marca de US$ 66 mil nesta terça-feira (21), em uma alta que, para José Artur Ribeiro, CEO da Coinext, tem sustentação real, mas que ainda precisa provar que veio para ficar. A recuperação foi impulsionada por uma combinação de fatores, como a entrada de mais de US$ 700 milhões nos ETFs de bitcoin à vista em cinco pregões consecutivos e a recuperação das ações de semicondutores na Ásia, que ajudou a restaurar o apetite por risco. Há, ainda, o avanço das discussões em torno do Clarity Act nos Estados Unidos, um projeto de lei que pode ampliar a participação institucional no mercado de criptomoedas no país.
Indicadores técnicos apontam fundo de ciclo?
Na avaliação de Ribeiro, além desses fundamentos, alguns indicadores técnicos também reforçam uma leitura mais positiva para o maior ativo digital do mundo. "O movimento [de valorização] é promissor, mas ainda incompleto. Na correção de junho, quando o BTC recuou para US$ 58 mil, três indicadores técnicos se alinharam simultaneamente pela primeira vez desde dezembro de 2022: o RSI mensal, o Chande Momentum Oscillator e a média móvel de 50 meses, em uma combinação que, historicamente, marcou fundos de ciclo relevantes", afirmou ele ao Money Times.
"Existem, porém, limites claros para esse otimismo. O volume no mercado à vista, por exemplo, segue contido, num sinal de que a alta reflete retorno do apetite por risco, mas não ainda convicção estrutural de novos compradores", acrescentou.
O que o Fed e o cenário macro têm a ver com isso?
"Além disso, o macro ainda não coopera plenamente: a reunião do Fed [Federal Reserve] de 28 e 29 de julho é o próximo teste, com o mercado precificando cerca de 15% de chance de uma alta de juros, mas com setembro ainda em aberto."
De acordo com Ribeiro, para transformar o atual repique em uma tendência consistente de alta, o bitcoin precisa sustentar os US$ 65 mil no fechamento semanal.
Suportes e resistências: onde o BTC pode chegar?
No campo dos suportes, o CEO da Coinext disse que uma perda desse nível reativaria a faixa dos US$ 62 mil, onde está a média móvel de 200 semanas. Abaixo disso, segundo ele, o caminho voltaria para os US$ 58 mil, mínima registrada em junho.
Já no campo das resistências, o executivo ponderou que o próximo teste está em US$ 72,2 mil, nível que, se superado com volume, abriria caminho para a faixa dos US$ 75 mil a US$ 82 mil.
"Para que isso aconteça, o mercado vai precisar de catalisadores concretos: Fed sem sinalização de alta em julho, inflação mais fria nos próximos meses e reversão consistente dos fluxos nos ETFs. Enquanto esses elementos não se alinham, os próximos fechamentos semanais serão o termômetro", afirmou Ribeiro.
Visão da Vault Capital: cautela com o cenário externo
A leitura é compartilhada por Marco Aurélio de Camargos, CIO da Vault Capital, que também ponderou que o fechamento semanal será decisivo para confirmar se o movimento atual representa o início de uma nova tendência de alta ou apenas um repique.
"O comportamento do bitcoin está chamando atenção. O ativo conseguiu o rompimento acima de US$ 65.571. Era essa a confirmação que precisávamos? Não. Tudo o que acontece durante a semana nos direciona, mas não confirma. O foco final é o semanal", ponderou ele, ao dizer que o movimento observado até agora inspira cautela.
"O raciocínio é simples. O catalisador geral para o mercado ficar otimista era a inflação dos EUA, que veio abaixo do esperado. Só que aquele dado contabilizava um cenário de guerra estabilizada e brent [petróleo] estável. O que temos agora é o inverso, e não parece algo prestes a acabar."
Por que o mercado ignora riscos geopolíticos?
A avaliação de Camargos é de que o mercado parece ignorar fatores que normalmente pressionariam os ativos de risco.
"O que intriga ainda mais é a dessensibilização do preço. Desde a semana passada, inúmeros ataques vêm ocorrendo [no Oriente Médio] e não fazem preço nos ativos. E não é só a guerra, é o cenário como um todo: tarifas do Trump voltando, petróleo em US$ 90 e o preço ignorando tudo", afirmou.
Para o CIO da Vault Capital, o intervalo entre US$ 66 mil e US$ 70 mil será a principal região de teste do BTC nas próximas sessões.
"Acima de US$ 65 mil, o corredor entre US$ 66 mil e US$ 70 mil é o mapa, degrau por degrau. A perda dos US$ 65 mil tira o amortecimento dos dealers e recoloca US$ 64.259 como gatilho de volta ao range. Cenário externo e preço estão contando histórias diferentes e, até uma delas ceder, compreendemos os níveis, não a narrativa."
Perguntas Frequentes
O bitcoin pode chegar a US$ 100 mil?
A fonte não projeta esse valor. Para os especialistas ouvidos, o próximo teste está em US$ 72,2 mil, com potencial de subir até US$ 75 mil a US$ 82 mil, desde que catalisadores como Fed favorável e inflação fria se alinhem.
Qual o suporte mais importante do bitcoin agora?
Segundo José Artur Ribeiro, da Coinext, o suporte crítico é US$ 65 mil no fechamento semanal. Abaixo disso, US$ 62 mil (média móvel de 200 semanas) e US$ 58 mil (mínima de junho).
O que pode fazer o bitcoin cair novamente?
Os principais riscos são: sinalização de alta de juros pelo Fed em julho, inflação acima do esperado, reversão dos fluxos nos ETFs e agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio.
ETFs de bitcoin ajudam a alta?
Sim. A entrada de mais de US$ 700 milhões em ETFs de bitcoin à vista em cinco pregões consecutivos foi um dos motores da recuperação recente, segundo Ribeiro.
Devo comprar bitcoin agora?
A cripto é volátil e o risco de perda total existe. A análise técnica mostra sinais positivos, mas o fechamento semanal acima de US$ 65 mil é necessário para confirmar tendência. Nunca invista mais do que você aceita perder.
