Se a bolsa já estava atrativa no começo do ano, voltou a ficar ainda mais após a recente queda. Pelo menos na visão do gestor César Paiva, da Real Investor. Conhecido como 'Warren Buffett de Londrina', ele aponta que as pedras no caminho deixaram algumas ações negociadas a até três vezes o preço sobre o lucro, e companhias passaram a ser negociadas pela metade do valor patrimonial.
O que mudou? Os juros altos, a guerra e as eleições deixaram o cenário difícil. Em abril, o Ibovespa encostou nos 200 mil pontos, com uma enxurrada de capital estrangeiro. Até meados deste mês, o fluxo internacional acumulado batia R$ 70 bilhões, mais que o dobro dos R$ 25,47 bilhões de 2025. Mas a guerra no Irã freou a disparada: o petróleo acima de US$ 90 o barril mexeu com as expectativas para os juros no Brasil e nos EUA.
"A gente está animado do ponto de vista dos preços. Muitas empresas boas estão a preços muito baixos. Então, realmente, a gente está com vontade zero de ficar com caixa", disse Paiva ao Money Times. Para ele, o momento exige sangue frio, já que o fluxo de gringos domina o mercado e fundos de ações seguem com resgates.
Entre os papéis, ele cita o Bradesco (BBDC4), que quase encostou nos R$ 22, mas voltou para R$ 18. "A gente acha que está com o preço abaixo do valor patrimonial ainda, mas negociando a seis vezes o lucro para este ano."
Outro banco é o Banco do Brasil (BBAS3), que enfrenta desafios com o agronegócio. Desde 2024, o banco vive um ciclo ruim devido à explosão da inadimplência no setor. Paiva diz que a ação negocia a 70% do valor patrimonial e talvez a cinco ou seis vezes o lucro, com resultado bastante deprimido.
Na carteira do gestor também está a Allos (ALOS3), que deve pagar algo como 1% ao mês em dividendos, algo como 30% a 40% nos próximos três anos. A Suzano (SUZB3) caiu 20% junto com o preço da celulose, que "está na lona". Ele cita ainda Porto Seguro (PSSA3), que negocia a oito vezes o lucro, e Vulcabras (VULC3), que cresce todo ano, praticamente sem dívida, negociando a sete vezes o lucro e caindo mais de 30% no ano.
Sobre as eleições, Paiva diz que não houve mudança brusca na carteira. "Trabalhamos com um cenário que parece mais provável de continuidade do Lula, o que eu acho que é ruim para o mercado como um todo." A última pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada na segunda-feira (27), mostrou Lula em vantagem no primeiro turno, mas tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) num eventual segundo turno.
Para quem busca oportunidades, a dica é olhar para o fluxo de caixa e os múltiplos, como faz Paiva. Separar as contas pessoais das da empresa é o primeiro passo para uma gestão saudável, e isso vale também para investimentos.
Perguntas Frequentes
Quais ações César Paiva considera baratas?
Bradesco (BBDC4), Banco do Brasil (BBAS3), Allos (ALOS3), Suzano (SUZB3), Porto Seguro (PSSA3) e Vulcabras (VULC3).
Por que a bolsa ficou mais barata?
Queda recente, juros altos, guerra no Irã e eleições deixaram os preços mais baixos.
Qual a métrica usada para medir preço barato?
O preço sobre o lucro (P/L). Quanto mais baixo, mais barata a ação.
O que o gestor pensa sobre as eleições?
Ele trabalha com cenário de continuidade do Lula, mas mantém alocação equilibrada.