A Azzas 2154 (AZZA3) anunciou a separação das operações da Arezzo&Co e do Grupo Soma, pouco mais de dois anos após a fusão que criou a companhia. A decisão foi recebida de forma positiva pelo JP Morgan, que vê na reorganização a saída para os problemas de governança que afetavam o planejamento de longo prazo das marcas.
Segundo relatório divulgado nesta terça-feira (2), os controladores Alexandre Birman e Roberto Jatahy chegaram a um acordo para dividir a empresa em duas companhias independentes, listadas no Novo Mercado da B3. A operação marca o retorno das estruturas originais, com cada grupo operando com gestão própria e foco total em seus negócios.
A reorganização também cria uma terceira sociedade para concentrar a Farm e suas extensões, incluindo Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula. A nova estrutura terá participação de 57,4% da futura Arezzo&Co e de 42,6% da Soma. Para o banco, esse desenho prepara o terreno para uma eventual venda ou IPO da Farm Rio, definindo quanto caberá a cada bloco controlador em uma monetização futura.
Na divisão dos negócios, a Arezzo&Co ficará com a plataforma de calçados e acessórios, reunindo marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi, além da Hering. A Soma concentrará Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Foxton, Oficina e Reserva. Após a reorganização, o bloco Birman terá 32,13% da Arezzo&Co e manterá 6,18% da Soma; o bloco Jatahy ficará com 25,95% da Soma.
Apesar da avaliação positiva, o JP Morgan destaca que ainda há poucos detalhes sobre a execução da cisão. Entre os pontos em aberto estão a distribuição de dívida e caixa, a alocação de ativos e passivos fiscais e os números financeiros de cada unidade. A expectativa é que o processo leve mais de seis meses, com dívida e caixa repartidos para manter alavancagem próxima de 2 vezes a relação dívida líquida/Ebitda do segundo trimestre de 2026.
O banco também pondera os custos da separação. Parte das operações já havia sido integrada após a fusão, o que pode gerar perda de sinergias e aumento de despesas. Outro ponto de atenção é a participação residual de cerca de 6% que o bloco Birman manterá na Soma, que pode pressionar as ações se vendida no mercado.
Mesmo com a melhora na governança, o JP Morgan manteve recomendação neutra para os papéis da Azzas 2154. A ação negocia a cerca de 4,5 vezes o lucro projetado para 2027, múltiplo considerado atrativo, mas insuficiente para uma visão mais otimista diante das incertezas da reestruturação. Para quem acompanha o setor, o desfecho deve ficar claro só no segundo semestre, quando os detalhes da cisão forem apresentados.