O Ibovespa (IBOV) engatou a terceira semana consecutiva de ganhos, com as eleições no radar e investidores ajustando posições para as próximas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. O índice acumulou valorização de 1,11% na semana e encerrou a última sessão aos 187.206,89 pontos. O dólar à vista terminou a R$ 5,1254, com recuo de 0,11% no acumulado semanal.
Assaí (ASAI3) lidera ganhos com alívio nos juros futuros
As ações do Assaí (ASAI3) avançaram com o alívio dos juros futuros e o chamado trade eleitoral. O movimento acompanha a expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14% para 13,75% ao ano, na reunião da próxima quarta-feira (16).
O dado que embasa essa aposta veio do IPCA: a inflação oficial recuou 0,32% em agosto, depois de avançar 0,07% em julho. A deflação superou o esperado pelo mercado. No acumulado de 12 meses, o índice subiu 4,22%, dentro do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
No cenário eleitoral, pesquisas de intenção de voto apontam o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ainda empatados tecnicamente em um eventual segundo turno. O quadro reforçou a aposta de parte dos investidores em uma troca de governo em 2027.
Na sexta-feira (11), o Caso Master ganhou novos desdobramentos após o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, dar 24 horas para que o ministro André Mendonça retire o sigilo de todos os documentos das investigações. A medida gerou receio sobre mais informações do escândalo envolvendo o filme 'Dark Horse' e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Direcional (DIRR3) é a pior ação da semana
Na ponta negativa do Ibovespa, a liderança ficou com a Direcional (DIRR3). O JP Morgan cortou o preço-alvo das ações de R$ 19 para R$ 17,50 em dezembro de 2027.
Apesar do corte, o banco considera que o papel está descontado em relação a alguns pares. Pelas contas dos analistas, DIRR3 negocia a cerca de 5,4 vezes o lucro estimado para 2027, um desconto de aproximadamente 22% frente à Cury, por exemplo. A recomendação de compra foi mantida.
O que mexeu com os mercados
Nos Estados Unidos, novos dados de inflação reforçaram as apostas de juros elevados por mais tempo. O CPI avançou 0,4% em agosto, ante 0,1% em julho. O núcleo, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3%, acima da projeção de 0,2%.
Com a surpresa do núcleo, o mercado aumentou as apostas de alta nos juros pelo Federal Reserve na próxima decisão do Fomc, também na quarta-feira. Na sexta-feira (4), a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 86,5% de chance de o Fed elevar os juros em 0,25 ponto percentual, para 3,75% a 4,00% ao ano. No dia anterior, a probabilidade era de 72,4%. Já a chance de manutenção na faixa de 3,50% a 3,75% caiu de 27,6% para 13,5%.
Para quem acompanha a bolsa, o recado da semana é claro: como a Selic afeta a renda variável e o que é o trade eleitoral na bolsa seguem sendo as chaves para ler o Ibovespa nas próximas sessões.