Na Argentina, comprar criptomoedas com pesos virou sinônimo de comprar dólares. Pesquisa da a16z Crypto aponta que 94% das negociações de criptomoedas realizadas em pesos são direcionadas a stablecoins, as criptomoedas com lastro em ativos do mundo real.
Os argentinos sempre tiveram afeição pelo dólar. Mas a crise econômica que se arrasta desde o início dos anos 2020 empurrou ainda mais pessoas para a versão digital da moeda norte-americana. Em 2023, os controles de capital tornaram os dólares oficiais inacessíveis para muitos e elevaram para mais de 100% a diferença entre as taxas de câmbio oficial e paralela.
As stablecoins surgiram como alternativa por estarem disponíveis 24 horas por dia e não serem afetadas por esses controles. Em abril de 2025, a Argentina suspendeu a maior parte das restrições para pessoas físicas comprarem dólares, o que fez as taxas convergirem para um valor mais próximo. Até a última sexta-feira (28), uma stablecoin em dólar poderia custar cerca de 4% a mais do que um dólar comprado pelo mercado oficial, segundo o levantamento.
A crise econômica argentina começa a perder tração. A inflação caiu, a compra de dólares voltou a ser legal e as pressões que levaram muitos às stablecoins diminuíram. Seria de esperar que o uso dessas moedas recuasse, mas o estudo mostra o contrário: o uso de stablecoins para receber salários se estabilizou, e os downloads da Lemon, uma das maiores carteiras de criptomoedas do país, cresceram a cada trimestre, mesmo com a inflação mensal caindo de 25,5% para 2,1%.
Para nós, que planejamos o futuro financeiro da família, o caso argentino ilustra como ativos digitais podem se tornar hábito mesmo quando o motivo original desaparece. As stablecoins podem não ser mais apenas proteção contra a inflação para os argentinos, mas um costume enraizado. O cenário reforça a importância de diversificar e acompanhar tendências globais, sempre com foco no longo prazo e nos objetivos de vida da nossa família.