ALPA4 dispara 11% com 2T26 acima do esperado; o que XP e JPMorgan avaliam
A Alpargatas (ALPA4), dona da Havaianas, abriu o pregão de hoje entre as maiores altas do Ibovespa. Por volta das 11h50, os papéis subiam cerca de 11%, no patamar de R$ 13,61. O otimismo veio após os resultados do segundo trimestre de 2026 superarem as expectativas, impulsionados pelo forte desempenho operacional no Brasil e pela recuperação das operações internacionais.
O que explica a disparada das ações da Alpargatas?
O resultado do 2T26 veio acima do que o mercado esperava. Para a XP Investimentos, o Ebitda ajustado ficou 16% acima de suas estimativas. O JPMorgan calcula que o indicador superou sua projeção em 22%. Os relatórios dos dois bancos afirmam que a surpresa positiva foi essencialmente operacional, sustentada por ganhos de margem e pelo avanço da divisão internacional.
No Brasil, as margens da companhia expandiram, ainda que os gastos com marketing durante a Copa do Mundo tenham sido intensificados. A XP destaca que a geração de caixa e a organização financeira da Alpargatas se refletiram nos resultados, com alavancagem estável em 0,5x, apesar das despesas extraordinárias.
O que agradou na avaliação da XP e do JPMorgan
Na visão dos analistas, a forte temporada na Europa e os ganhos de eficiência do novo modelo comercial nos Estados Unidos confirmam um novo ciclo para a unidade internacional. A margem Ebitda internacional atingiu cerca de 29%, enquanto o Ebitda da divisão mais do que dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os dois bancos enxergam melhora nos fundamentos da companhia, mas o JPMorgan se manteve cauteloso com as ações. Para o banco norte-americano, o desempenho do trimestre pode levar o mercado a revisar para cima as projeções de lucro para 2026 e 2027.
Pontos de atenção: petróleo e Rothy's
Nem tudo foi comemoração. As casas levantaram dois pontos de atenção: a recente alta do petróleo, associada a tensões geopolíticas, e as quedas de vendas e Ebitda da Rothy's, marca de calçados produzidos a partir de materiais reciclados.
A alta do petróleo pode pressionar custos de matérias-primas, enquanto a Rothy's segue como um ponto fraco no portfólio da companhia. Esses fatores explicam, em parte, a cautela do JPMorgan.
Recomendação e preço-alvo do JPMorgan
Ainda assim, o banco manteve recomendação Neutra para a Alpargatas, avaliando que a valorização recente já incorporou parte da melhora operacional observada pela companhia. O preço-alvo é de R$ 13,50, com potencial de valorização de 10% em relação ao fechamento de ontem.
Ou seja: mesmo com a surpresa positiva, o banco entende que o papel já reflete boa parte das boas notícias. Quem comprou na máxima de hoje precisa considerar que o upside indicado pelo preço-alvo é limitado.
O que acompanhar daqui para frente
O mercado deve ficar de olho em três frentes: a evolução das margens no Brasil, a continuidade da recuperação internacional e o desempenho da Rothy's. A revisão para cima das projeções de lucro para 2026 e 2027, citada pelo JPMorgan, pode sustentar o preço das ações nas próximas semanas.
Para o investidor pessoa física, o caso Alpargatas ilustra como um resultado operacional forte pode mover o preço das ações no curto prazo. Mas a recomendação Neutra de um dos bancos mostra que nem todo rali se sustenta sem revisão de preço-alvo.
Perguntas Frequentes
Por que a Alpargatas (ALPA4) disparou hoje?
As ações subiram cerca de 11% após o resultado do 2T26 superar as expectativas do mercado, com forte desempenho no Brasil e recuperação internacional.
Qual foi a avaliação da XP sobre o resultado?
A XP afirmou que o Ebitda ajustado ficou 16% acima de suas estimativas, destacando geração de caixa e alavancagem estável em 0,5x.
O JPMorgan recomenda comprar ALPA4?
Não. O JPMorgan manteve recomendação Neutra, com preço-alvo de R$ 13,50, avaliando que a valorização recente já incorporou parte da melhora operacional.
Quais são os riscos apontados pelos bancos?
A alta do petróleo por tensões geopolíticas e as quedas de vendas e Ebitda da Rothy's, marca de calçados reciclados.
O que sustentou o resultado internacional da Alpargatas?
A forte temporada na Europa e os ganhos de eficiência do novo modelo comercial nos Estados Unidos, com margem Ebitda internacional de cerca de 29%.
