As ações das usinas sucroenergéticas ganharam força na Bolsa nesta segunda-feira (31), acompanhando a valorização dos contratos futuros do açúcar na ICE. Por volta das 14h50, o contrato com vencimento em outubro de 2026 avançava 1,31%, cotado a US$ 0,1779 por libra-peso. No mesmo horário, a São Martinho (SMTO3) liderava os ganhos do setor, com alta de 4,42%. A Jalles (JALL3) subia 6,24%, enquanto a Raízen (RAIZ4), em recuperação extrajudicial, recuava 4,35%.
O movimento não é pontual. No último mês, SMTO3 e JALL3 acumularam altas de 36,36% e 27,80%, respectivamente. RAIZ4, por outro lado, caiu 11,54%. Para Marcelo Di Bonifácio, analista da StoneX, o açúcar foi uma das commodities agrícolas que mais subiram em agosto e segue sustentado. Ele aponta o clima como principal motor, com destaque para a safra de beterraba da União Europeia, afetada por ondas de calor sem chuvas adequadas. "As estimativas da safra da UE têm diminuído mês a mês. Dificilmente vamos ver um patamar de US$ 0,14-US$ 0,15 para o açúcar", afirma.
A safra 2026/2027 de beterraba da UE foi reduzida de 14,1 milhões para 13,4 milhões de toneladas, o menor patamar do século. O ciclo 15/16, pior marca anterior (13,7 milhões), também ocorreu em ano de El Niño. "Eles (UE) vão importar mais açúcar e essa demanda vem do Brasil", completa o analista. Na Índia, maior consumidora mundial, as monções mais fracas devem reduzir a produtividade. O país enfrenta estoques apertados e autorizou, pela primeira vez em quase uma década, importações de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem tarifa.
Casas como StoneX e Czarnikow revisaram projeções, migrando de superávit para déficits ou saldos bem mais apertados no balanço global. No Brasil, principal produtor e exportador, a estimativa é de produção ligeiramente menor, com usinas mantendo flexibilidade para direcionar cana ao etanol onde o biocombustível é mais rentável. Isso reduz a oferta adicional de açúcar no mercado internacional. A leitura fria: o rali de SMTO3 e JALL3 reflete a exposição direta das receitas ao preço da commodity. Quem acompanha o setor sabe que essa correlação costuma ser rápida, mas também volátil. ações de usinas sucroenergéticas preço do açúcar no mercado internacional