Investidores internacionais começam a semana de olho no setor de tecnologia. Na madrugada desta segunda-feira (14), os principais papéis do segmento operam em baixa nas maiores bolsas internacionais, e o movimento chega ao Brasil via EWZ, o iShares MSCI Brazil negociado em Nova York, que recua 0,92%, cotado a US$ 37,84.
O motivo do mau humor está do outro lado do Equador. Executivos norte-americanos alertaram para uma desaceleração mais rápida do que o esperado na expansão da infraestrutura de inteligência artificial (IA). Em bom português: o ritmo de construção de data centers e capacidade de processamento pode estar esfriando antes do previsto, o que ameaça frustrar as expectativas de receita e lucro dos vultosos investimentos feitos no setor nos últimos trimestres.
O que pesa no seu bolso nesta segunda
Se você tem exposição a fundos internacionais, BDRs de big techs ou ETFs ligados ao setor, o dia começa no vermelho. A queda dos papéis de tecnologia nas bolsas asiáticas, que fecharam em baixa, e os índices futuros de Wall Street em recuo sinalizam abertura europeia mista e cautela em Nova York.
Há um segundo vetor menos comentado. A manutenção do barril de petróleo acima dos US$ 100 tende a pressionar a inflação no médio e longo prazo, algo que os Bancos Centrais mundo afora precisam colocar na conta antes de cortar juros. Inflação mais teimosa significa juro básico mais alto por mais tempo, o que encarece crédito, segura a bolsa e valoriza a renda fixa. Para quem investe, é o tipo de engrenagem que muda a alocação sem fazer barulho.
Super Quarta e o cenário político doméstico
O tema ganha contornos especiais nesta semana com a decisão sobre juros nos Estados Unidos e no Brasil, marcada para quarta-feira (16), a chamada Super Quarta. É quando os dois Bancos Centrais anunciam suas taxas e o mercado recalibra expectativas para os próximos meses.
No front doméstico, a mais recente pesquisa BTG Pactual/Nexus mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do segundo colocado, Flávio Bolsonaro (PL), por 42% a 37% das intenções de voto. Em um cenário de segundo turno, a vantagem voltou a aparecer dentro da margem de erro: 47% contra 46%.
O Ibovespa (IBOV) encerrou o último pregão da semana em território negativo, com queda de 0,56%, aos 187.206,89 pontos, pressionado pelo risco político ligado a novas notícias do caso Master envolvendo o candidato Flávio Bolsonaro (PL). No acumulado da semana, o índice teve saldo positivo de 1,11%. O dólar à vista fechou a R$ 5,1254, alta de 0,44% no dia e leve desvalorização de 0,11% na semana. Vale lembrar que o dólar PTAX de venda registrado pelo Banco Central em 4 de setembro ficou em R$ 5,1253, praticamente o mesmo patamar.
Se você quer acompanhar como esses movimentos afetam sua carteira, vale entender como funciona a Super Quarta e o que é o EWZ e por que ele importa. A leitura é simples: tecnologia e política ditam o tom hoje, e a decisão de juros na quarta define a direção da semana.