A Unipar (UNIP5; UNIP6) entrou no radar do BTG na última quarta-feira, quando o banco iniciou cobertura com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 68. O valor representa potencial de alta de 23,2% sobre o fechamento de R$ 55,19. O papel, pouco coberto por analistas de sell side, tem lugar especial na carteira de Luiz Barsi, maior investidor pessoa física da Bolsa, que detém 24% das ações preferenciais e 14% das ordinárias, além de ser vice-presidente do conselho de administração.
A recomendação não é animadora. Os analistas afirmam que, apesar de a empresa ser resiliente, não há grande potencial na ação, com os ganhos já precificados. O relatório destaca que a Unipar está se tornando uma plataforma de cloro-álcalis, em vez de uma tese baseada nos spreads de PVC, o que proporciona uma base de lucro líquido mais resiliente, mas com potencial limitado de crescimento. Para o banco, se quiser ter revisão positiva, a Unipar dependerá de uma ajuda dos spreads de PVC.
Os dividendos, um dos carros-chefes da companhia, também não devem animar. O recente ciclo de capex aumentou significativamente a alavancagem, elevando as despesas financeiras e reduzindo a conversão de Ebitda em fluxo de caixa para o acionista. Nos cálculos do BTG, UNIP6 negocia a aproximadamente 7,2 vezes o EV/Ebitda estimado para 2027, prêmio de 56% sobre a média histórica, com yield de fluxo de caixa de aproximadamente 6% (ante média de 13%) e retorno de dividendos de aproximadamente 5% (ante média de 10%).
A Unipar concluiu recentemente um ciclo de investimentos de aproximadamente R$ 1 bilhão na conversão da unidade de Cubatão para tecnologia de membrana e cerca de R$ 234 milhões na planta de cloro-álcalis de Camaçari. O banco estima economias de R$ 120 milhões a R$ 130 milhões por ano com custos de energia elétrica, vapor e despesas fixas. Em 2021, o PVC representava cerca de 77% do Ebitda; o BTG estima que caia para 26% em 2026. A Unipar fechou o dia em queda de 1,81%, acumulando perda de 5,16% no ano. análise de ações com dividendos