A XP reduziu de 2,0% para 1,7% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026, conforme a avaliação de que a economia deve perder força mais rapidamente do que o esperado. Com isso, a corretora passou a ver espaço para a continuidade dos cortes na taxa Selic, que deve terminar o ano em 13,25% ao ano.
A revisão reflete o enfraquecimento dos componentes da atividade mais sensíveis ao ciclo econômico. Para 2027, a XP manteve a estimativa de expansão de 1,0%, mas afirma que o viés ainda é de baixa. A projeção é de que a Selic alcance 11,50% em junho de 2027, permanecendo nesse nível até o fim do ano.
O cenário, contudo, não está livre de riscos. A corretora chama atenção para a possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos, novas pressões sobre o petróleo, os efeitos do El Niño e as incertezas envolvendo a política fiscal brasileira.
Na inflação, a XP também reduziu de 5,1% para 5,0% a projeção para o IPCA de 2026. A mudança incorpora as surpresas baixistas recentes e uma nova premissa para a bandeira tarifária de energia elétrica. Parte desse alívio é compensada pelas tensões no Oriente Médio, que podem manter os preços do petróleo pressionados. Para 2027, a expectativa de inflação foi mantida em 4,2%, com riscos concentrados para cima.
Na frente fiscal, a casa projeta déficit primário de 0,3% do PIB para o governo central em 2026. Em 2027, o resultado negativo deve diminuir para 0,2% do PIB, sustentado por uma arrecadação ainda robusta. Segundo a XP, a política fiscal deve entrar em terreno contracionista no final deste ano, passando a retirar estímulos da atividade econômica.
O ambiente externo traz sinais mistos para o Brasil. De um lado, a possibilidade de alta dos juros nos Estados Unidos aumenta a pressão sobre moedas emergentes. De outro, a valorização de commodities como petróleo, soja, milho e açúcar favorece a balança comercial brasileira. Mesmo com os riscos externos, a XP manteve a projeção do dólar em R$ 5 no fim de 2026 e R$ 5,30 no encerramento de 2027.
No campo político, a XP avalia que a campanha eleitoral chega a setembro reforçando a perspectiva de uma disputa presidencial equilibrada até o fim. A candidatura do senador Flávio Bolsonaro deve buscar demonstrar força e unidade entre os partidos de direita. Já a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tende a apostar no aumento da rejeição ao adversário e em pautas econômicas, como o fim da escala de trabalho 6×1.