Wall Street abriu o pregão desta terça-feira (1º) em queda, e o mês de setembro começou no vermelho. Por volta das 10h45, logo após a abertura, o Nasdaq recuava 1%, pressionado pela alta dos juros globais e pela aversão ao risco diante da escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã.
O que pesa sobre os índices é o aumento acelerado dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries. O título de 10 anos, em especial, atingiu na véspera o nível mais alto desde janeiro de 2025. Quando os títulos ficam mais atrativos, parte dos investidores migra para a renda fixa, e as ações perdem força.
Há ainda o petróleo operando acima de US$ 90 por barril, impulsionado por ataques a dois petroleiros no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o transporte global. A escalada do conflito entre EUA e Irã aumenta o temor de interrupções no fornecimento de energia, o que eleva custos e alimenta preocupações inflacionárias.
No front corporativo, a estreia das ações da varejista Shein na bolsa de Hong Kong chamou atenção ao registrar queda significativa, refletindo a cautela dos investidores diante do cenário incerto.
As declarações recentes do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Kevin Warsh, seguem no radar. Ele reforçou postura mais rígida em relação à política monetária, mantendo aberta a possibilidade de novas altas nos juros já em setembro para conter a inflação persistente.
Hoje, o mercado espera novos dados de emprego. O Relatório Jolts deve ser divulgado ainda hoje, enquanto o relatório oficial de empregos, o payroll, de agosto está previsto para a próxima sexta-feira (4). Esses números podem dar pistas sobre os próximos passos do Fed.
Para quem investe, o recado é de cautela: o cenário combina juros altos, petróleo caro e tensão geopolítica, uma combinação que costuma manter a volatilidade em alta. Acompanhar os dados de emprego e as declarações do Fed será essencial para calibrar expectativas nas próximas semanas.