Wall Street fecha em tom misto com inflação em linha e ações de IA; S&P 500 se aproxima de recorde
O pregão desta quarta-feira terminou sem direção única em Nova York. As ações de inteligência artificial voltaram a subir, mas o impasse no Oriente Médio manteve os investidores em alerta. O S&P 500 voltou a se aproximar do recorde histórico, ainda que o mercado tenha fechado dividido entre ganhos e perdas.
O que moveu o mercado hoje: CPI em linha e IA em alta
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,1% em julho, após recuo de 0,04% em maio. No acumulado de 12 meses, a inflação americana soma 3,4%, exatamente o que o mercado esperava. Os preços seguem acima da meta de 2% perseguida pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA).
O dado, embora não seja o preferido do Fed para medir a inflação, é o termômetro que o mercado usa para calibrar as apostas sobre os juros futuros. E ele veio para reforçar a tese de que o aperto monetário pode ter chegado ao fim.
Ações de IA sobem após balanços fortes
As ações ligadas à inteligência artificial voltaram ao tom positivo. A CoreWeave subiu 19,28%, para US$ 107,73, depois de reportar margem de lucro operacional ajustada de 5% no segundo trimestre, acima das expectativas. A receita da companhia dobrou na base anual.
A Super Micro Computer avançou 19,02%, para US$ 27,61, após revisar para cima a projeção de lucros e receitas. Os dois balanços reforçaram a percepção de que a demanda por infraestrutura de IA segue firme, apesar do temor de bolha no setor.
O que a inflação em linha significa para os juros
Após o CPI, o mercado elevou a aposta de manutenção dos juros na próxima reunião do Fed, em setembro. A ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 60,1% de chance de juros inalterados na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, contra 51,6% na véspera. A probabilidade de alta de 0,25 ponto percentual caiu de 48,4% para 39,9%.
Para Ellen Zentner, estrategista-chefe de economia da Morgan Stanley Wealth Management, a "inflação em linha com as expectativas mantém intacta a narrativa de que 'não há necessidade de aumentar as taxas de juros'". A frase resume o sentimento que dominou o fechamento do pregão.
Oriente Médio segue como fator de risco
O impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz manteve os preços do petróleo sob pressão e os investidores cautelosos. A região concentra parte relevante do transporte mundial de petróleo, e qualquer interrupção aquece a inflação global.
O que esperar daqui para frente
Os investidores agora aguardam o índice de preços ao produtor (PPI), que deve trazer novos sinais sobre a trajetória dos preços no atacado. Se o dado vier em linha, a aposta em manutenção dos juros em setembro deve se consolidar.
Para quem investe em renda variável, o cenário é de cautela com oportunidade: juros estáveis tendem a favorecer ações de tecnologia, mas o risco geopolítico segue como contraponto. A dica é diversificar e acompanhar os próximos indicadores de inflação.
Perguntas Frequentes
O que é o CPI e por que ele importa?
O CPI é o índice de preços ao consumidor dos EUA, usado para medir a inflação no varejo. Ele influencia as decisões de juros do Fed, que afetam os mercados globais.
O que significa o S&P 500 se aproximar de recorde?
Indica que as principais empresas americanas estão sendo bem avaliadas pelo mercado, o que costuma refletir otimismo com a economia e com os lucros corporativos.
Como a inflação dos EUA afeta o Brasil?
Juros mais altos nos EUA tendem a fortalecer o dólar e pressionar mercados emergentes. Juros estáveis ou em queda favorecem a entrada de capital em países como o Brasil.
Vale investir em ações de IA agora?
Os balanços de CoreWeave e Super Micro indicam demanda forte, mas o setor tem volatilidade alta. Avalie seu perfil de risco e diversifique.
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