Wall Street encerrou o pregão desta terça-feira (8) em queda, após o feriado do Dia do Trabalho nos EUA, com investidores monitorando as tensões entre Estados Unidos e Irã, as relações comerciais com o Canadá e o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasuries).
O petróleo subiu pelo sexto dia consecutivo: o contrato mais líquido do Brent, referência internacional, para novembro fechou com alta de 0,95%, a US$ 97,92 o barril, na ICE, em Londres, no maior nível desde julho. Já o WTI, para outubro, subiu 1,69%, a US$ 93,03 o barril, na Nymex.
Por trás da alta, está a pressão econômica dos EUA contra o Irã. Nesta terça-feira, o governo Trump impôs sanções a elementos adicionais da indústria de aviação iraniana, atingindo 36 empresas aéreas comerciais e privadas. Com a escalada do petróleo, cresceram as preocupações com a inflação e a aposta em alta de juros pelo Fed na decisão de 16 de setembro. A ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 58,2% de chance de elevação de 25 pontos-base, contra 41,8% de manutenção da taxa na faixa de 3,50% a 3,75%.
Também entraram em vigor hoje as tarifas de retaliação do Canadá sobre produtos norte-americanos, na sequência das tarifas de 50% que os EUA impuseram sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses no mês passado. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou em vídeo: "Temos tudo o que precisamos para mudar de rumo e prosperar. Essa mudança terá um custo. Sempre há um custo para agir. Mas não chega nem perto do custo de ficar parado."
O mercado aguarda o CPI, que sai na sexta-feira (11). Para o UBS GW, o dado será decisivo para reforçar ou enfraquecer a perspectiva de alta de juros. Estrategistas do banco lembram que, após três meses de leituras benignas do núcleo do CPI (0,21% em maio, -0,02% em junho e 0,22% em julho), uma nova leitura contida seria necessária para desestimular o Fed a elevar os juros ainda este mês.
Para nós, que planejamos o futuro financeiro da família, o recado é de cautela: a alta do petróleo tende a pressionar a inflação e os juros, afetando desde o custo do crédito até a renda fixa. Acompanhar os próximos dados pode ajudar a ajustar o planejamento sem decisões precipitadas.