Exclusivo · Economia

Variedades agrícolas resilientes atenuam sazonalidade na inflação

ResumoVariedades agrícolas resilientes à mudança do clima, segundo André Braz (FGV IBRE) e Heron do Carmo (FEA-USP), reduzem a sazonalidade na inflação. A adoção dessas cultivares estabiliza a oferta de alimentos ao longo do ano, diminuindo picos de preços. A mitigação dos efeitos climáticos na produção agrícola contribui para uma trajetória inflacionária mais previsível e menos volátil no Brasil.

Variedades agrícolas resilientes à mudança do clima ajudam a mitigar a sazonalidade na inflação, avaliam André Braz (FGV IBRE) e Heron do Carmo (FEA-USP).

2 min de leituraPRO
Variedades agrícolas resilientes atenuam sazonalidade na inflação
Foto: Viva Capital · Variedades agrícolas resilientes atenuam sazonalidade na inflação · 29 ago 2026

O desenvolvimento de variedades agrícolas resilientes às mudanças climáticas ajuda a mitigar parte dos efeitos da sazonalidade sobre a inflação, avalia André Braz, coordenador dos Índices de Preços da FGV IBRE. Ele cita a Embrapa, que aprimora cultivares como um tipo de milho que demanda 25% menos água, permitindo cultivo em condições adversas.

"Esse avanço tecnológico contribui para atenuar a sazonalidade na produção, uma vez que possibilita a colheita em ambientes anteriormente inóspitos, o que tende a estabilizar os preços. Todavia, essa estabilidade depende da frequência de eventos climáticos extremos. Caso fenômenos como o El Niño se tornem recorrentes, as projeções de regularidade ficam severamente comprometidas", alerta Braz.

Além do clima, tensões geopolíticas, como o conflito entre Rússia e Ucrânia e instabilidades no Oriente Médio, pressionam os mercados e mascaram a sazonalidade tradicional dos alimentos, acrescenta o economista. "Embora o ciclo natural dos produtos ainda exista, a combinação de inovações tecnológicas, como cultivo em ambientes controlados e aprimoramento genético, com a dinâmica da logística global tem alterado nossa percepção sobre essas oscilações."

Heron do Carmo, professor sênior da FEA-USP, vê o menor protagonismo da sazonalidade como reflexo de mudanças nos padrões de consumo e da maior abertura econômica. Ele destaca que a sofisticação da produção agrícola e a integração do mercado nacional mitigaram impactos regionais, como os que afetavam feijão e batata. "O avanço tecnológico permitiu a expansão de novas fronteiras, como a fruticultura no Nordeste, que abastece todo o País", pontua.

O professor também cita a pecuária: o confinamento substituiu a extensiva, reduzindo a alta histórica dos preços da carne bovina no inverno. Ainda assim, ciclos de longo prazo persistem, e a volatilidade atual é global. "Fenômenos como o El Niño impactam a produção mundial, como a alta do azeite por secas na Europa e a valorização do café por quebras no Brasil e no Vietnã", afirma.

Os dados recentes do IPCA mostram variação mensal de 0,07% em julho de 2026 e 0,16% em junho (Banco Central), sugerindo que, por ora, a estabilidade prevalece. inflação de alimentos no Brasil

“Variedades agrícolas resilientes à mudança do clima ajudam a mitigar a sazonalidade na inflação, avaliam André Braz (FGV IBRE) e Heron do Carmo (FEA-USP).”
Larissa Monteiro · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
Viva Capital Daily · Newsletter

O briefing que os CFOs do varejo brasileiro leem antes das 8h.

Análises diárias sobre meios de pagamento, crédito e bancos digitais. Direto na sua caixa, sem ruído. Já lida por mais de 47 mil profissionais do setor.

Você pode cancelar a qualquer momento. Sem spam.