# Varejo fecha 1,1 mil lojas desde 2022: custo de ser grande

> O varejo brasileiro fechou mais de 1,1 mil lojas desde o fim de 2022, com cinco grandes redes reduzindo operações físicas. O corte reflete o custo de manter estruturas extensas diante da migração do consumo para canais digitais. A decisão estratégica prioriza eficiência operacional e adaptação ao novo comportamento do consumidor.

*Viva Capital · Economia · 30 de agosto de 2026 · Thiago Vasques*

Desde o fim de 2022, cinco grandes redes do varejo fecharam mais de 1,1 mil lojas. O corte expõe o custo de manter estruturas extensas em um consumo que migra para as telas.

Desde o fim de 2022, o varejo tradicional descobriu o custo de ser grande. Cinco redes, Casas Bahia, Americanas, Carrefour, Marisa e Magazine Luiza, reduziram em mais de 1,1 mil o número de lojas físicas, segundo levantamento da Broadcast, sistema de notícias do Grupo Estado. A pesquisa compara os balanços do fim de 2022 com os dados mais recentes e considera a redução líquida, já descontadas eventuais aberturas.

A Casas Bahia responde pela maior fatia. No fim de 2022, quando ainda se chamava Via, a companhia tinha 1.133 lojas. Chegou a junho deste ano com 1.034 e anunciou, em agosto, o fechamento de 298 unidades. Se o plano for executado, a rede terá encolhido cerca de 400 pontos em menos de quatro anos. O corte expõe a situação financeira: são R$ 17,3 bilhões em dívidas em recuperação judicial, e o presidente Renato Franklin já afirmou que não prevê retomada do crescimento nos próximos dois anos.

A Americanas seguiu caminho semelhante após a crise contábil de janeiro de 2023. Entre o fim de 2022 e dezembro de 2025, a rede passou de 1.803 para 1.470 lojas, 333 a menos. No Carrefour, o enxugamento acompanhou a integração do Grupo BIG: caiu de 1.203 para mil lojas em março de 2025, com 123 unidades definitivamente encerradas. A Marisa fechou uma vitrine na Avenida Paulista após 15 anos e terminou 2025 com 230 lojas, ante 334 três anos antes. O Magazine Luiza chegou a junho com 1.246 lojas, 93 abaixo das 1.339 de 2022, mas anunciou retomada da expansão no segundo semestre.

As cinco redes não encolheram pelo mesmo motivo, mas carregavam estruturas para outro momento do consumo. Com juros altos e crédito restrito, ficou difícil sustentar aluguéis, pessoal e estoques enquanto se investia no e-commerce. Para Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, o digital não matou a loja, mas expôs fragilidades. Fechar unidades deficitárias reduz despesas, porém, como diz Tozzi, é medida de eficiência, não recuperação por si só.

As vendas online movimentaram R$ 423 bilhões em 2025, alta de 21%, e representam 14,4% do varejo, segundo o UBS BB. O Mercado Livre lidera com 43%, seguido por Shopee (18%), Amazon (11%) e Magazine Luiza (10%), que perdeu 2,7 pontos. Para este ano, a projeção é de R$ 518 bilhões. Ainda assim, Assaí e Grupo Mateus somaram 131 unidades desde 2022, e C&A e Renner, outras 60. Como resume Tozzi, uma empresa pode ficar melhor com 500 lojas excelentes do que com 800, sendo 300 destruidoras de valor. recuperação judicial no varejo e-commerce no Brasil

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