# Tesouro eleva a até 53% fatia de títulos ligados à Selic na dívida em 2026

> O Tesouro Nacional elevou para 49% a 53% a meta de títulos indexados à Selic na dívida pública em 2026. A medida reflete maior demanda por papéis pós-fixados em cenário de juros altos. Investidores conservadores ganham proteção contra oscilações da taxa básica, mas reduzem previsibilidade de retorno. A estratégia aumenta a exposição do governo à variação da Selic.

*Viva Capital · Economia · 26 de agosto de 2026 · Roberto Yokota*

O Tesouro Nacional elevou a meta de títulos ligados à Selic na dívida pública para 49% a 53% em 2026, refletindo maior demanda em cenário de juros altos. Veja o impacto para o investidor conservador.

O Tesouro Nacional anunciou nesta quarta-feira uma nova meta para a dívida pública federal: a fatia de títulos atrelados à Selic no estoque deve fechar 2026 entre 49% e 53%, acima dos 46% a 50% previstos no início do ano. A revisão reflete a maior procura por esses papéis em um ambiente de incerteza e volatilidade na economia.

A resposta direta: com a Selic em 14,00% ao ano, os títulos pós-fixados ficam mais atraentes para quem busca proteção contra oscilações. O ajuste no Plano Anual de Financiamento (PAF) também reduziu a meta de títulos atrelados à inflação para 21% a 25% (antes 23% a 27%) e a de prefixados para 20% a 24% (antes 21% a 25%).

Em comunicado, o Tesouro explicou que o aumento da participação dos títulos ligados à Selic "reflete a combinação de um ambiente de maior volatilidade e de taxas de juros elevadas, contribuindo para uma maior preferência dos investidores por instrumentos de menor duração e menor sensibilidade às oscilações das taxas de juros". Na prática, quem investe em Tesouro Selic ou CDB pós-fixado tende a se beneficiar desse cenário, já que o rendimento acompanha a taxa básica.

Os dados de julho mostram que a fatia de títulos atrelados à Selic no estoque ficou em 51,1%, acima dos 49,3% de junho e já superando o limite anterior para o ano. Em agosto, esses papéis representaram 57,3% das emissões, abaixo dos 63,1% de julho. O subsecretário de Dívida Pública, Francisco Segundo, ponderou que o órgão observa uma "normalização" nas emissões recentes, com arrefecimento na demanda.

Apesar do ajuste, o Tesouro manteve a previsão de estoque da dívida entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões em 2026. O prazo médio da dívida ficou em 4,05 anos em julho, e o custo médio do estoque caiu para 12,45% ao ano, ante 12,68% em junho. O colchão de liquidez soma R$ 1,371 trilhão, suficiente para 7,81 meses de vencimentos.

Para o investidor conservador, a leitura é clara: com juros altos, títulos pós-fixados seguem como opção de menor risco e boa liquidez. Se você prefere segurança a retorno alto, o Tesouro Selic continua adequado para reserva de emergência, enquanto prefixados podem travar rendimentos menores em cenário de queda futura da Selic. A renda fixa não é sem graça, é sem susto.

Tesouro Selic vs CDB pós-fixado Como a Selic afeta seus investimentos

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Fonte (canonical): https://vivacapital.com.br/economia/tesouro-eleva-ate-53-fatia-esperada-titulos-ligados-selic-divida-publica-2026/
