O ex-presidente Michel Temer afirmou à CNN que teve uma breve conversa com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na qual o aconselhou a buscar diálogo com André Mendonça para minimizar a crise na Corte. A declaração foi dada em meio ao agravamento da tensão interna.
Segundo Temer, a questão envolvendo o STF é grave, e o cenário ideal seria o diálogo entre todos os membros para se chegar a um acordo. "Então, às vezes, como uma disputa entre setores, ainda que seja entre o Alexandre e o Mendonça, o ideal seria dialogarem lá, todos eles, e chegarem a uma composição, porque qualquer solução litigiosa, digamos assim, que o Supremo venha a dar será péssima para o País", declarou.
A conversa ocorreu antes da determinação de Mendonça pelo afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. Temer defendeu uma solução interna para o impasse e alegou que não falou com Mendonça. "Eu reconheço que complicou bastante. Até domingo, por exemplo, não havia essa decisão mais rigorosa, digamos assim. Então, acho que agora ficou um pouco difícil", disse.
Mesmo diante do agravamento, Temer espera que os membros do STF encontrem uma solução de harmonia interna. Caso contrário, "vai ficar muito mal para o Supremo e para o país", afirma.
O ex-presidente indicou Moraes para uma das cadeiras do Supremo no início de 2017, sucedendo Teori Zavascki, que morreu em acidente aéreo. Na época, Moraes era ministro da Justiça e Segurança Pública.
O contato ocorre após revelações sobre relações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes. Mensagens foram publicadas pelo Estadão na última terça-feira. Na mesma tarde, Mendonça derrubou o sigilo do relatório da PF que informava a troca de mensagens, que também citou aproximação de Vorcaro com Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, e Andrei Rodrigues.
Na sequência, Moraes acusou Mendonça de interferência na condução das investigações pela PF, participação irregular em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos para favorecer interesses políticos. Moraes também o incluiu no Inquérito das Fake News e encaminhou pedido de investigação ao presidente do STF, Edson Fachin.