A curva de juros futuros ficou mais inclinada na sexta-feira, 28. Dados fracos do mercado de trabalho derrubaram a ponta curta, enquanto os trechos distantes subiram com o Fed e o fiscal. O DI para janeiro de 2027 caiu de 13,631% para 13,61%, mas o DI para janeiro de 2031 subiu de 14,36% a 14,505%.
O Caged de julho veio abaixo do esperado: foram abertos 58,6 mil postos, metade do consenso de 114 mil. O economista do Santander, Henrique Danyi, viu sinais de esfriamento. Para o gestor Eduardo Cohn, da Heritage Capital, o dado aliviou os juros curtos, mas o aumento dos prêmios longos foi mais relevante, com o discurso conservador do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole.
O fiscal também pesou. O leilão forte de prefixados do Tesouro deixou o mercado exposto, e a previsão de expansão de 20% das despesas discricionárias no PLOA 2027 acendeu alertas. O ministro Bruno Moretti disse que haverá "mudança" na composição do Orçamento, com superávit de R$ 18 bi a R$ 20 bi. Cohn resumiu: "Nosso problema de juros altos é fiscal".
Na semana, a ponta curta devolveu 10 pontos-base, e a longa subiu 6. Para quem investe em renda fixa, a Selic segue o centro da decisão: com o fiscal pressionando, o alívio nos juros curtos pode ser temporário. Acompanhe os DIs para ajustar seus prazos.