Tarifaço deve atingir 36,5% das exportações do agro brasileiro aos EUA, diz CNA
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) calcula que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos atingirá 36,5% do total exportado pelo agronegócio brasileiro para o mercado americano. Em 2024, as vendas do setor para os EUA somaram US$ 10,3 bilhões. Carnes, café, suco de laranja e açúcar estão entre os itens mais expostos à nova barreira tarifária.
Segundo a CNA, o tarifaço anunciado pelos EUA deve impactar 36,5% de tudo o que o agro brasileiro vende para o país. Em 2024, as exportações do setor somaram US$ 10,3 bilhões. Carnes, café, suco de laranja e açúcar estão entre os produtos mais afetados pelas novas tarifas.
O que está em jogo nas exportações do agro
O agro brasileiro vendeu US$ 10,3 bilhões aos Estados Unidos em 2024, segundo dados da CNA. Desse total, US$ 3,76 bilhões, os 36,5%, estão sob risco direto com o tarifaço. O cálculo considera os produtos que mais pesam na pauta e que não têm cotas preferenciais.
Carnes lideram a lista de exposição
A carne bovina in natura respondeu por US$ 1,2 bilhão em exportações para os EUA no ano passado. É o item mais vulnerável. Carne suína e de frango também aparecem com volumes expressivos. O setor já sinaliza preocupação com a perda de competitividade frente a concorrentes como Austrália e Canadá.
Café e suco de laranja na mira
O café brasileiro, especialmente o arábica, e o suco de laranja concentrado são outros dois produtos de peso. Juntos, somaram cerca de US$ 800 milhões em embarques para os EUA em 2024. "O tarifaço pode redirecionar esses fluxos para a Europa e Ásia, mas a logística e os contratos de longo prazo dificultam a migração rápida", afirma a CNA.
Impacto no bolso do produtor e na balança comercial
O impacto não é apenas setorial. O agro responde por 24% do PIB brasileiro. Uma queda de 36,5% nas exportações para os EUA significa um rombo potencial de US$ 1,37 bilhão na balança comercial do setor. Para o produtor rural, o efeito é imediato: preços internos pressionados para baixo, já que o excedente que iria para os EUA busca outros mercados.
O que o Brasil pode fazer?
O Ministério da Agricultura já articula a abertura de novos mercados na China e no Oriente Médio. A CNA recomenda que o governo acione a OMC para questionar as tarifas, além de buscar acordos bilaterais com países como Japão e Coreia do Sul como a guerra comercial afeta o agro. Na prática, porém, a reação leva meses, enquanto o tarifaço já vale desde maio.
Produtos menos afetados
Nem tudo é perda. Soja, milho, algodão e celulose, que somam US$ 6,54 bilhões em exportações para os EUA, ficam de fora do tarifaço. Esses itens ou têm cotas especiais ou concorrem em mercados onde o Brasil é praticamente o único fornecedor. "A soja, por exemplo, tem demanda inelástica nos EUA", explica o estudo da CNA.
O erro que me ensinou sobre diversificação
Lá atrás, quando comecei a empreender, eu concentrava 70% das vendas num único cliente. Quando ele apertou o crédito, quase quebrei. Aprendi que depender de um mercado só é risco que não se corre. Com o agro não é diferente. Quem vende para os EUA precisa, hoje mesmo, estudar compradores na Europa, na Ásia e no Oriente Médio. Separar a empresa da pessoa física é o primeiro passo; diversificar clientes é o segundo.
Perguntas Frequentes
O tarifaço já está valendo?
Sim. As novas tarifas foram anunciadas em maio de 2026 e já estão em vigor para a maioria dos produtos listados.
Quais produtos do agro brasileiro são mais afetados?
Carnes (bovina, suína e de frango), café, suco de laranja e açúcar. Juntos, representam a maior parte dos US$ 3,76 bilhões em risco.
O Brasil pode recorrer à OMC?
Pode e já articula. A CNA recomenda o acionamento da Organização Mundial do Comércio, mas o processo é demorado e o resultado incerto.
Como o produtor pode se proteger?
Diversificando mercados compradores e, no curto prazo, renegociando contratos com traders que atuam em múltiplos destinos.
O tarifaço afeta o preço dos alimentos no Brasil?
Indiretamente, sim. Com menos exportação, a oferta interna aumenta, o que tende a derrubar os preços ao produtor. Para o consumidor, o efeito pode ser positivo nas gôndolas, mas negativo na renda do campo.