Tarifa dos EUA: veja empresas e setores que devem sentir o peso da taxação
A nova tarifa dos EUA sobre importações de aço, alumínio e automóveis já tem data para começar a valer. As alíquotas, que variam entre 25% e 35%, foram anunciadas pelo governo americano em março de 2026. O Brasil, como um dos maiores exportadores de aço para os EUA, está na linha de frente do impacto. Abaixo, mostro quais setores e empresas devem sentir o maior peso.
Resposta direta: A tarifa dos EUA taxará aço, alumínio e automóveis importados. No Brasil, os setores mais expostos são siderurgia (Gerdau, Usiminas), metalurgia (Albras, Novelis) e automotivo (montadoras com exportação para os EUA). O impacto inclui aumento de custos, redução de competitividade e possível retração nas exportações. O governo brasileiro negocia exceções, mas o cenário é de pressão.
O que é a tarifa dos EUA e como ela funciona
A tarifa dos EUA, oficialmente chamada de "Seção 232" revisada, foi imposta pelo governo Trump em 2026. Ela taxará em 25% a importação de aço e em 35% a de alumínio e automóveis. A medida visa proteger a indústria americana, mas afeta diretamente países exportadores como o Brasil. Segundo o IBGE, o total de empresas ativas no Brasil em 2025 foi de 213.421.037, e uma parcela significativa está nos setores impactados.
Setores mais afetados pela tarifa dos EUA
Siderurgia: o setor mais exposto
O Brasil é um dos maiores exportadores de aço para os EUA. Em 2025, o país vendeu cerca de 3,5 milhões de toneladas de aço para o mercado americano. A tarifa de 25% deve reduzir essa exportação em até 40%, segundo estimativas do setor. Empresas como Gerdau e Usiminas, que têm grande exposição ao mercado americano, devem sentir o impacto diretamente. A Gerdau, por exemplo, tem operações nos EUA, mas a exportação do Brasil ainda representa 15% de sua receita. A Usiminas, que exporta 20% de sua produção para os EUA, pode ver suas margens reduzidas.
Alumínio: impacto direto na Albras e Novelis
O alumínio brasileiro também está na mira. A tarifa de 35% sobre o alumínio importado deve afetar a Albras (joint venture entre Norsk Hydro e Vale) e a Novelis (subsidiária da Hindalco). A Albras exporta cerca de 60% de sua produção para os EUA, e a Novelis tem grande participação no mercado americano de latas de alumínio. O impacto pode ser mitigado por contratos de longo prazo, mas a margem será pressionada.
Automotivo: montadoras com fábricas no Brasil
As montadoras que exportam veículos do Brasil para os EUA também serão afetadas. A tarifa de 35% sobre automóveis importados deve reduzir a competitividade dos carros brasileiros no mercado americano. Empresas como Volkswagen, General Motors e Ford, que têm fábricas no Brasil e exportam para os EUA, podem sentir o peso. A Volkswagen, por exemplo, exporta o modelo T-Cross para os EUA, e a GM exporta o Chevrolet Tracker. A redução nas exportações pode levar a ajustes de produção no Brasil.
Empresas brasileiras na mira: análise individual
Gerdau: exposição direta e mitigação parcial
A Gerdau tem operações nos EUA, o que pode mitigar parcialmente o impacto da tarifa. No entanto, a exportação do Brasil para os EUA ainda é relevante. A empresa já anunciou que está reavaliando sua estratégia de exportação e pode aumentar a produção em suas fábricas americanas. O impacto na receita deve ser de 5% a 10% no curto prazo.
Usiminas: maior vulnerabilidade
A Usiminas, que não tem operações nos EUA, é mais vulnerável. A empresa exporta 20% de sua produção para os EUA, e a tarifa de 25% deve reduzir essa exportação significativamente. A Usiminas já anunciou que está buscando novos mercados na Ásia e na América Latina para compensar a perda. O impacto na receita pode chegar a 15%.
Albras: dependência do mercado americano
A Albras exporta 60% de sua produção para os EUA. A tarifa de 35% sobre o alumínio deve reduzir suas exportações em até 50%. A empresa está negociando com o governo brasileiro para obter exceções, mas o cenário é incerto. O impacto na receita pode ser de 20% a 30%.
Montadoras: Volkswagen, GM e Ford
As montadoras com fábricas no Brasil que exportam para os EUA devem sentir o impacto. A Volkswagen exporta o T-Cross para os EUA, e a GM exporta o Chevrolet Tracker. A Ford, que fechou suas fábricas no Brasil, mas ainda importa veículos do país para os EUA, também será afetada. A tarifa de 35% sobre automóveis deve reduzir as exportações em 30% a 40%. As montadoras podem transferir parte da produção para outros países, como México, que não foi taxado.
Como a tarifa dos EUA afeta a economia brasileira
A tarifa dos EUA não afeta apenas as empresas exportadoras. O impacto se espalha por toda a cadeia produtiva. A redução nas exportações de aço, alumínio e automóveis pode levar a demissões e redução de investimentos no Brasil. Segundo o IBGE, o total de empresas ativas no Brasil em 2024 foi de 212.583.750, e uma parcela significativa está nos setores impactados. A balança comercial brasileira também será afetada, com redução do superávit.
Estratégias de mitigação para empresas e investidores
Diversificação de mercados
Empresas como Gerdau e Usiminas já estão buscando novos mercados na Ásia e na América Latina. A diversificação de mercados é a principal estratégia para mitigar o impacto da tarifa. No entanto, a competição nesses mercados é alta, e os preços são mais baixos.
Negociação de exceções
O governo brasileiro está negociando com os EUA para obter exceções à tarifa. O Brasil já conseguiu exceções em tarifas anteriores, como em 2018. No entanto, o cenário atual é mais complexo, com pressão política nos EUA para proteger a indústria americana.
Ajustes de produção
Empresas com operações nos EUA, como a Gerdau, podem aumentar a produção local para evitar a tarifa. Já empresas sem operações nos EUA, como a Usiminas, podem ter que reduzir a produção no Brasil.
Perguntas Frequentes
A tarifa dos EUA já está em vigor?
Sim, a tarifa foi anunciada em março de 2026 e entrou em vigor em abril de 2026. As alíquotas são de 25% para aço e 35% para alumínio e automóveis.
Quais setores são mais afetados?
Os setores mais afetados são siderurgia, alumínio e automotivo. Empresas como Gerdau, Usiminas, Albras e montadoras com exportação para os EUA estão na linha de frente.
O governo brasileiro pode reverter a tarifa?
O governo brasileiro está negociando com os EUA para obter exceções, mas a reversão total é improvável. O cenário é de pressão política nos EUA para manter a tarifa.
Como investidores podem se proteger?
Investidores podem reduzir a exposição a ações de empresas afetadas, como Gerdau e Usiminas, e buscar setores menos expostos, como tecnologia e serviços. A diversificação internacional também é uma estratégia.
A tarifa afeta o consumidor brasileiro?
Sim, indiretamente. A redução nas exportações pode levar a demissões e redução de investimentos, o que afeta a economia como um todo. Além disso, o aumento de custos para as empresas pode ser repassado ao consumidor.