A Suzano (SUZB3) está comunicando clientes na China e demais mercados asiáticos sobre um aumento de preço para a celulose a partir de setembro, informou uma fonte do setor à Reuters nesta sexta-feira. A maior produtora de celulose do Brasil busca um reajuste de US$20 a tonelada métrica, no que deve ser o primeiro aumento para a Ásia desde abril. A Suzano confirmou a mudança de preço para setembro.
Para analistas do UBS BB, o aumento de preço da celulose de fibra curta branqueada de eucalipto (BEK) na China reforça a visão de que o mercado encontrou um piso para o preço em torno de US$550 por tonelada. "Se o reajuste for efetivamente implementado, ele poderá elevar a faixa de preços para US$ 580 a US$ 590 por tonelada", afirmam Caio Greiner e equipe em relatório a clientes.
Já os analistas do BTG Pactual citaram que a recente recuperação dos preços de revenda na China é um bom indicativo de que a recomposição de estoques já está em andamento. "Além disso, observamos alguma inflação de custos entre os produtores integrados chineses, o que deve oferecer suporte adicional aos preços da celulose importada", afirmaram Leonardo Correa e equipe em relatório. Os analistas do BTG reiteraram que a Suzano continua sendo a sua ação preferida no setor, "apoiada por um posicionamento relativamente leve dos investidores e por um valuation ainda atrativo".
Na bolsa paulista, as ações da Suzano chegaram a subir quase 1,7%, a R$47,18, mas perderam o fôlego e cediam 0,15%, a R$46,33, por volta de 11h15. No mesmo horário, o Ibovespa cedia 0,07%. análise de ações de papel e celulose
Para nós, que acompanhamos o setor de perto, a confirmação do reajuste pela Suzano sinaliza uma virada no ciclo de preços da celulose. Ainda que o movimento dependa da efetiva implementação, a leitura de que o piso foi estabelecido em US$550 por tonelada traz mais previsibilidade para quem planeja investir no papel. O próximo passo é observar se os demais produtores seguem a mesma direção, o que consolidaria a recuperação do setor no segundo semestre.