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Super El Niño: risco desigual e trigo em alerta, vê Aon

ResumoAon alerta que o Super El Niño deve afetar a safra 2026/27 de forma desigual no Brasil, com o trigo como cultura de maior risco imediato no Sul. O fenômeno climático exige monitoramento regionalizado, pois impactos variam entre estados e culturas. A análise da corretora de seguros destaca vulnerabilidade específica do cereal sulista.

O Super El Niño deve impactar a safra 2026/27 de forma desigual pelo Brasil, com o trigo como cultura de maior risco imediato no Sul, segundo a Aon.

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Super El Niño: risco desigual e trigo em alerta, vê Aon
Foto: Viva Capital · Super El Niño: risco desigual e trigo em alerta, vê Aon · 08 set 2026

O impacto do Super El Niño na safra brasileira 2026/27 não será uniforme. Cada região e cada cultura enfrentará um cenário próprio de riscos, com o Sul como principal frente de exposição e o trigo no centro do alerta imediato, segundo o relatório "Climate Risk - El Niño Outlook for Brazil", da Aon, obtido pelo Broadcast Agro.

O trigo desponta como a cultura de maior risco imediato para a rentabilidade no curto prazo. A fase crítica de colheita no Sul, região responsável por cerca de 80% da produção nacional, estimada em 7,54 milhões de toneladas, coincide com o pico de intensidade do fenômeno, previsto para o quarto trimestre de 2026. O excesso de umidade eleva o risco de germinação pré-colheita, perda de valor comercial e surtos severos de doenças fúngicas. O histórico reforça o alerta: no super El Niño de 2015/16, o trigo registrou o maior volume anual de perdas da série histórica do seguro do grão, com sinistros concentrados no Rio Grande do Sul, que também concentra mais de 110 dos 220 eventos de perdas registrados entre 2000 e 2021.

No Sudeste, a cafeicultura entra em zona de atenção. Episódios de El Niño de moderados a fortes tendem a provocar ondas de calor e mudanças no padrão de precipitação entre o último trimestre de 2026 e o início de 2027. Em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, o estresse térmico e hídrico em fases sensíveis, como florada e enchimento dos grãos, pode reduzir o rendimento. O histórico aponta quedas de 20% a 30% na produção em episódios anteriores, com perdas de receita superiores a R$ 1 bilhão em algumas temporadas.

A soja, por outro lado, apresenta dinâmica de compensação regional. Produtores do Rio Grande do Sul têm maior exposição ao encharcamento entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027, mas o Centro-Oeste, liderado por Mato Grosso (cerca de 30% da produção nacional), tende a ter chuvas de verão mais regulares, reduzindo o risco de seca severa. O milho de primeira safra no Sul tem janela de risco com floração exposta a granizo entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, enquanto a safrinha, responsável por aproximadamente 80% da produção nacional, deve escapar dos piores efeitos.

"Os impactos do clima já não se limitam à operação agrícola. Eles afetam liquidez, capacidade de financiamento e criação de valor ao longo de toda a cadeia", disse a CEO de Resseguros da Aon no Brasil, Beatriz Protásio. O relatório também alerta para o Norte e Nordeste, com estiagens de junho a março e queimadas até 40% acima da média histórica. Rondônia já registra perdas de 15% a 25% em café e milho, e o semiárido pode ver quedas de 30% a 50% em lavouras de sequeiro.

Com o El Niño devendo se estender até abril de 2027, segundo o CPC da NOAA, a Aon recomenda revisar a concentração de exposição no Sul, monitorar chuvas acima da média e usar indicadores de ENSO como alerta complementar, não como gatilho isolado. Planejar cedo é o juro mais barato que existe: estruturar proteção plurianual agora pode antecipar o risco de seca no Centro-Oeste já na safra 2027/28, quando o La Niña tende a suceder o atual fenômeno.

“O Super El Niño deve impactar a safra 2026/27 de forma desigual pelo Brasil, com o trigo como cultura de maior risco imediato no Sul, segundo a Aon.”
Henrique Salomão · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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