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Soja e milho: o que pode acontecer com os preços

ResumoSoja e milho registraram queda após três semanas de alta, com cotações atingindo os maiores níveis desde 2023. O movimento de baixa reflete ajustes técnicos e realização de lucros, mas fatores como clima adverso, demanda global e tensões geopolíticas podem reverter a tendência. Acompanhamento de safras no Hemisfério Sul e decisões de compra da China são determinantes para os próximos preços.

Soja e milho recuaram após três semanas de alta e maiores cotações desde 2023. Clima, demanda global e geopolítica podem virar o jogo. Entenda.

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Soja e milho: o que pode acontecer com os preços
Foto: Viva Capital · Soja e milho: o que pode acontecer com os preços · 03 set 2026

Os preços da soja e do milho recuaram nesta semana, depois de chegarem às maiores cotações desde 2023, com três semanas seguidas de alta. Para Luiz Fernando Roque, analista da Hedgepoint, as perspectivas seguem favoráveis. Ainda assim, a combinação entre clima, safra, demanda global e geopolítica pode mexer com o mercado. O que pode virar o jogo daqui pra frente? Vou separar os pontos que eu, como quem acompanha fluxo de caixa de produtor, sei que merecem atenção.

Na soja, o mercado observa o aumento da demanda por biodiesel nos Estados Unidos e a retomada das compras chinesas de soja americana. Desde junho e julho, a China ampliou as compras, em linha com o acordo firmado em outubro. Para Gutierrez, esse movimento sustenta as cotações internacionais. Já o cenário geopolítico pesa: tensões entre EUA e Irã e o conflito entre Rússia e Ucrânia afetam energia e petróleo, repercutindo nos grãos via óleo vegetal e biocombustíveis.

Há, ainda, a preocupação com as lavouras americanas, menos favoráveis que no ano passado, o que pode reduzir estimativas de produção. No milho, uma safra americana menor com exportações fortes apertaria os estoques. No Brasil, a soja encontra sustentação na demanda externa: exportações fortes reduzem a disponibilidade interna e fortalecem os prêmios. Para 2025/26, a Hedgepoint projeta exportações de soja em torno de 114 milhões de toneladas, 6 milhões acima das 108 milhões da temporada anterior.

No milho, a demanda interna é forte, puxada pelas usinas de etanol, mas as exportações geram dúvidas. O Brasil exporta menos que no ano passado, com menor demanda iraniana por causa da guerra e forte concorrência da Argentina, que teve safra recorde e oferece preços competitivos. A previsão atual é de 41 milhões de toneladas exportadas, com viés negativo. Se setembro a dezembro decepcionarem, a correção de preços pode vir.

O clima ganha peso com o plantio da soja. Os mapas indicam condições favoráveis em setembro e outubro, e o El Niño ainda não está nos preços. Mas ele é risco: historicamente, traz chuvas abaixo da média no Centro-Norte e acima no Sul. Quebra ou atraso no plantio afetaria também o milho safrinha.

Não há teto ou piso claro para as cotações. A leitura é de curva alta, mas não garantida até o fim do ano. Se as safras no Brasil e na Argentina vierem normais ou maiores, a oferta adicional pressiona os preços. como proteger o caixa da fazenda com hedge

Quem trabalha com grão sabe: o que sustenta o negócio não é só o preço lá fora, é a previsibilidade aqui dentro. Separar o caixa da operação das contas pessoais é o primeiro passo pra atravessar a volatilidade sem susto. gestão de fluxo de caixa para produtores

“Soja e milho recuaram após três semanas de alta e maiores cotações desde 2023. Clima, demanda global e geopolítica podem virar o jogo. Entenda.”
Adriana Buarque · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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