A Shein teve uma estreia sem brilho na bolsa de Hong Kong nesta terça-feira (1). As ações fecharam estáveis, sem o salto típico do primeiro dia, refletindo preocupações com riscos regulatórios e contratempos que minaram sua vantagem competitiva.
Conhecida por blusas a US$ 5 e vestidos a US$ 10, a varejista foi afetada por mudanças em tarifas e impostos nos Estados Unidos e na Europa, o que derrubou sua avaliação. As ações fecharam a HK$ 48,50, contra o preço do IPO de HK$ 48,56, após uma queda de até 10% durante o dia. A empresa agora vale cerca de US$ 26,3 bilhões, bem abaixo do pico de quase US$ 100 bilhões em 2022.
Fundada na China em 2012 e com sede em Cingapura desde 2021, a Shein passou quatro anos tentando abrir capital, sem sucesso em Nova York e Londres, até voltar às raízes chinesas para listar-se em Hong Kong. O escrutínio sobre suas práticas comerciais bloqueou tentativas anteriores, segundo as autoridades chinesas.
Na cerimônia, o diretor financeiro Leigh Gui disse que a empresa continuará inovando e cooperando com parceiros da cadeia de suprimentos. O fundador Sky Xu, conhecido por ser reservado, não discursou, mas tirou fotos com funcionários. A demanda pelo IPO foi moderada: a parcela de varejo foi subscrita 5,63 vezes e a internacional, 2,59 vezes, bem abaixo de ofertas de IA e robótica.
Para a estrategista Charu Chanana, da Saxo, a estreia fraca mostra que os investidores não veem a Shein como barata, mesmo após a reavaliação. A empresa foi avaliada em 15 vezes os lucros futuros, mais que o dobro da rival Temu, o que significa pagar um prêmio com riscos regulatórios e comerciais.
Entre os investidores âncora estão Willett Advisors, de Michael Bloomberg, Xavier Niel, Microsoft, Reliance, Claure Group e SoftBank Vision Fund. O IPO vendeu 6,6% do capital, com âncoras segurando cerca de 20% sob bloqueio de seis meses, deixando 5% livres para negociação.
Se você pensa em investir, lembre: cripto é tecnologia antes de ser aposta, e o mesmo vale para ações. A volatilidade e o risco de perda são reais, então só invista o que aceita perder. Fique atento aos riscos regulatórios, que podem afetar o valor de qualquer ativo.