O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira (16) os próximos passos da Selic, atualmente em 14% ao ano. A expectativa é de um novo corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica a 13,75% ao ano.
O que joga a favor do corte: o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, mas perdeu força frente ao 1,1% do primeiro. O IPCA teve deflação de 0,32% em agosto, com inflação de 4,22% em 12 meses, dentro do intervalo de tolerância da meta. O Caged criou 58.568 vagas formais em julho, bem abaixo das 114 mil esperadas. O que joga contra: o desemprego caiu para 5,3%, menor nível para o período desde 2012, sinal de mercado de trabalho ainda aquecido.
Eu acompanho renda fixa há tempo suficiente para saber que o juro não cai por otimismo, cai por dado. E os dados desta vez contam uma história com dois lados bem marcados.
Do lado favorável ao corte, a atividade perdeu velocidade. Serviços avançaram apenas 0,2% e a Indústria, 0,1%, enquanto a Agropecuária cresceu 2,8%. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias recuou 0,4% frente ao primeiro trimestre. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) subiu 1,2%.
A inflação trouxe o sinal mais confortável. Habitação caiu 1,87%, puxada pelo Bônus de Itaipu nas contas de energia. Transportes recuaram 0,86%, com passagens aéreas em queda de 13,17% e combustíveis, 0,91%. Alimentação e bebidas caiu 0,34%. O Copom, ainda assim, segue de olho em serviços, núcleos e expectativas.
O mercado de trabalho formal deu sinais de arrefecimento. Foram 2,263 milhões de admissões e 2,204 milhões de desligamentos em julho. A agropecuária criou 12.523 vagas e a indústria geral, 11.315. Para Leonardo Costa, economista do ASA, os números reforçam a leitura de um mercado resiliente, mas em "processo gradual de arrefecimento".
Só que a Pnad Contínua lembra por que a cautela persiste. O desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, contra 5,8% no trimestre até abril e 5,6% um ano antes. O rendimento médio real habitual ficou em R$ 3.762, estável no trimestre e 3,3% maior na comparação anual.
Para quem vive de renda fixa, entender o juro é metade do investimento. Se o corte se confirmar, a Selic cai, e com ela tendem a cair os rendimentos de CDBs pós-fixados e do Tesouro Selic. A outra metade é decidir o prazo: quem precisa de liquidez diária sente o corte mais rápido do que quem trava o dinheiro em um título prefixado ou indexado à inflação.
Renda fixa não é sem graça, é sem susto. Um CDB que rende 100% do CDI com liquidez diária serve para a reserva de emergência. Já um Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 atende quem quer proteger o poder de compra no longo prazo e aceita não mexer no dinheiro. O dado desta quarta define o ponto de partida, não o destino.
como funciona o Tesouro Selic CDB pós-fixado ou prefixado