O tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não atinge o país de forma homogênea. Dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto total estimado. São Paulo responde por 28% do montante, com destaque para máquinas e equipamentos, aeronaves e produtos químicos. Santa Catarina vem em seguida, com 24%, puxada por carnes de frango e suínos, além de motores elétricos e móveis.
Resposta direta: São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto do tarifaço dos EUA, segundo dados do MDIC que analisou as exportações brasileiras de 2025. São Paulo responde por 28% do total impactado, puxado por máquinas e aeronaves; Santa Catarina, por 24%, liderado por carnes de frango e suínos.
Por que São Paulo e Santa Catarina são os mais afetados?
A concentração do impacto reflete o perfil exportador de cada estado. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), São Paulo é o maior exportador brasileiro para os EUA, com embarques de US$ 8,2 bilhões em 2025. Os setores mais expostos são máquinas e equipamentos (30% das exportações paulistas para os EUA), aeronaves (18%) e produtos químicos (12%).
Santa Catarina, por sua vez, tem forte presença no agronegócio e na indústria de transformação. As carnes de frango e suínos representam 40% das exportações catarinenses para os EUA, seguidas por motores elétricos (15%) e móveis (8%). O tarifaço atinge justamente esses itens com alíquotas adicionais de 25% sobre o valor FOB.
Setores mais expostos ao tarifaço
O MDIC identificou três setores com maior vulnerabilidade. O primeiro é o de máquinas e equipamentos, que responde por 22% do total impactado no país. O segundo é o de carnes (frango, suíno e bovina), com 18%. O terceiro é o químico, com 12%.
Para São Paulo, o maior risco está em máquinas e aeronaves. A Embraer, por exemplo, exporta jatos executivos e comerciais para os EUA, segmento que pode perder competitividade com a tarifa adicional (Fonte: relatório do MDIC, jun/2026). Em Santa Catarina, o setor de carnes é o mais sensível: os EUA são o principal destino da proteína catarinense, e o tarifaço pode redirecionar esses embarques para outros mercados, como China e Oriente Médio.
Impacto econômico por estado
Além dos dois estados líderes, outros também sentem o efeito, mas em menor escala. O Paraná responde por 9% do impacto, o Rio Grande do Sul por 8%, e Minas Gerais por 6%. Os demais estados somam 25%.
A tabela abaixo resume a distribuição do impacto estimado:
| Estado | Participação no impacto | Principais setores | |--------|------------------------|---------------------| | São Paulo | 28% | Máquinas, aeronaves, químicos | | Santa Catarina | 24% | Carnes, motores, móveis | | Paraná | 9% | Carnes, madeira, veículos | | Rio Grande do Sul | 8% | Carnes, calçados, tabaco | | Minas Gerais | 6% | Minério, café, siderurgia | | Demais estados | 25% | Variados |
O que muda para o exportador brasileiro?
Na prática, o tarifaço eleva o custo do produto brasileiro no mercado americano. O exportador que antes pagava 5% de imposto de importação nos EUA pode passar a pagar 30% em alguns casos. Isso reduz a margem de lucro ou obriga a repassar o custo ao consumidor final, perdendo competitividade frente a concorrentes de países sem tarifa.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor de carnes é o mais pressionado: as exportações de frango para os EUA podem cair até 15% no curto prazo impactos do tarifaço na agropecuária brasileira. Já para máquinas e equipamentos, a expectativa é de uma redução de 8% a 10% nos embarques, com impacto direto na geração de empregos em São Paulo.
Medidas de mitigação possíveis
O governo brasileiro já sinalizou que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar as tarifas. Além disso, há negociações em andamento para ampliar acordos bilaterais com outros parceiros, como a União Europeia e a China, como forma de diversificar destinos.
Para o exportador individual, recomenda-se revisar contratos internacionais, incluir cláusulas de reajuste cambial e tarifário, e buscar linhas de crédito do BNDES para financiar a reestruturação de rotas de exportação linhas de crédito BNDES para exportadores.
Perguntas Frequentes
O tarifaço dos EUA já está em vigor?
Sim. As novas alíquotas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros selecionados foram aplicadas a partir de 1º de junho de 2026, conforme anúncio do governo americano em maio.
Quais produtos são mais impactados?
Carnes de frango e suínos, máquinas e equipamentos, aeronaves, produtos químicos, motores elétricos e móveis estão entre os itens com maior impacto.
Como calcular o novo custo do produto exportado?
O exportador deve somar a alíquota base de importação dos EUA (que varia de 0% a 5%) com a tarifa adicional de 25%. O valor total pode chegar a 30% sobre o preço FOB.
Há possibilidade de isenção?
Não há isenção automática. Empresas podem solicitar waiver (dispensa) ao governo americano em casos de desabastecimento, mas o processo é burocrático e raramente concedido.
O que fazer se minha empresa for afetada?
Procure a Associação Comercial ou a Federação das Indústrias do seu estado para acessar programas de apoio à exportação. Consulte também um contador especializado em comércio exterior para reavaliar contratos e margens.