O dólar registra forte queda nesta quinta-feira (30), em meio a suspeitas de uma nova intervenção no câmbio pelo governo do Japão. A moeda norte-americana já vinha sendo pressionada desde o início da manhã, com investidores incertos sobre a postura do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) após a decisão de juros na véspera e dados de crescimento da economia dos EUA abaixo do esperado, com inflação ainda acima da meta de 2% do BC.
O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, entre elas o iene, perdeu os 100 pontos no início da tarde e bateu mínima intradia com queda de 1,02%. Por volta de 15h50 (horário de Brasília), o DXY caía 0,98%, aos 99,906 pontos. No mesmo horário, na comparação com a moeda japonesa, o dólar recuava 2,70%, a 159 ienes. volatilidade no mercado cambial
Suspeitas de nova intervenção japonesa
"Tudo indica que as autoridades japonesas aproveitaram um ambiente de dólar mais fraco para iniciar sua segunda campanha de intervenção cambial do ano", avalia Chris Turner, diretor global de mercados do ING. Na visão do especialista, a iniciativa foi "bem calculada", já que a moeda norte-americana já operava pressionada depois que Kevin Warsh, presidente do Fed, lançou dúvidas sobre a possibilidade de aumento de juros em setembro.
Ele também destaca que a inflação medida pelo PCE, em linha com o esperado, reforçou o movimento de queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, e a fraqueza do dólar.
Estimativa de volume da intervenção
A estimativa do ING é de que essa nova intervenção do Japão no câmbio possa somar novamente cerca de US$ 70 bilhões ao longo de dois a três dias. Vale lembrar que as autoridades japonesas venderam cerca de US$ 73 bilhões entre 30 de abril e 1º de maio.
Contexto macroeconômico que pressiona o dólar
O movimento, se confirmado, acontece um dia antes da decisão de política monetária do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês). O mercado espera manutenção dos juros em 1% ao ano, após a elevação de 0,25 ponto percentual no mês passado.
No Brasil, o dólar PTAX de venda fechou em R$ 5,0739 em 30 de julho, ante R$ 5,1217 no dia anterior e R$ 5,1177 em 28 de julho. A sequência de quedas reflete o movimento global de desvalorização da moeda americana.
O papel do Fed e dos dados dos EUA
A pressão sobre o dólar começou ainda pela manhã, com investidores analisando a decisão de juros do Fed na véspera e os dados de crescimento da economia norte-americana, que vieram abaixo do esperado. A inflação, medida pelo PCE, ainda supera a meta de 2% do BC americano, o que mantém a incerteza sobre os próximos passos da política monetária.
Impactos no mercado global
A queda do dólar ante o iene e o recuo do DXY abaixo dos 100 pontos são sinais de que o movimento pode ter sido coordenado. Para Turner, do ING, a ação japonesa foi "bem calculada" ao aproveitar o ambiente de dólar mais fraco.
O mercado agora aguarda a decisão do BoJ nesta sexta-feira, que pode trazer novos direcionamentos para o câmbio global. como a política monetária do Japão afeta o real
Perguntas Frequentes
O que é o índice DXY?
O DXY é um índice que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes: euro, iene, libra, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço.
Qual foi a queda do dólar ante o iene?
O dólar recuou 2,70%, a 159 ienes, por volta de 15h50 (horário de Brasília).
Quanto o Japão pode gastar na intervenção?
A estimativa do ING é de cerca de US$ 70 bilhões ao longo de dois a três dias.
O que motivou a suspeita de intervenção?
A queda do dólar já era pressionada por dados fracos dos EUA e dúvidas sobre juros do Fed, o que teria sido aproveitado pelas autoridades japonesas.
Quando será a próxima decisão do Banco do Japão?
A decisão de política monetária do BoJ acontece um dia após o movimento, com expectativa de manutenção dos juros em 1% ao ano.