Renan Santos, candidato à presidência pelo Missão, admitiu nesta terça-feira (4) que pretende usar o desembolso de emendas parlamentares como moeda de troca para garantir governabilidade com o Congresso. Segundo ele, a estratégia permitiria aprovar reformas e cortar gastos públicos em um ajuste fiscal.
O candidato participou de sabatina organizada por G4 e O Antagonista, onde detalhou o plano. "O ajuste fiscal vai passar por gatilho, com a redução de gastos condicionada às emendas. Emendas por corte de gastos. Para reformas, tem de ter habilidade para negociar, usar instrumentos, inclusive as emendas, de maneira republicana, para conseguir aprová-las", afirmou.
Como funcionaria o ajuste fiscal com gatilho
A proposta central é amarrar o corte de gastos à liberação de emendas. Na prática, cada redução de despesa abriria espaço para o pagamento das emendas, criando um ciclo de negociação com o Congresso.
Renan Santos defendeu ainda "cortar muito incentivo fiscal e fazer muita adequação" para ampliar a receita. Ainda assim, poupou o agronegócio, um dos setores mais beneficiados por subsídios. "O agro funciona e se tornou muito mais competitivo com o mundo, com menos incentivo fiscal e é um modelo que funciona", disse.
Críticas à Zona Franca de Manaus
O candidato também criticou a Zona Franca de Manaus. "A Zona Franca de Manaus não funciona. Só a Honda tem R$ 16 bilhões por ano para ficar levando equipamento daqui para lá, uma distorção precisa ser corrigida", completou.
Trajetória e vida pregressa
Candidato pela primeira vez a um cargo público por um partido criado há menos de um ano, Renan Santos foi questionado sobre suas entregas com números e resultados. Ele disse que sua "vida pregressa passou por administrar empresas, pegar empresas quebradas" e reconstruí-las, mas não deu exemplos sobre quais companhias reergueu.
"Ao me tornar líder político, e líder político tem que tomar decisão com ética da responsabilidade, as maiores ações foram as maiores manifestações do País e foi o impeachment da Dilma Rousseff", afirmou. Ele é também líder do Movimento Brasil Livre (MBL). "Criei partido político algo que o ex-presidente Jair Bolsonaro falhou miseravelmente, e tentou colocar filhos, e que não conseguiu por causa de suas baixas inteligências".
Críticas à elite política
Renan Santos ampliou as críticas aos Bolsonaro, afirmando que a família do ex-presidente e o lulismo são "as duas faces da mesma moeda" porque "são terríveis para o futuro". Ele também criticou toda a "elite política brasileira, que se baseia em dinheiro e prazer sexual" nas negociações.
O que observar no plano fiscal
Para quem acompanha o debate econômico, o ponto central é a viabilidade do gatilho. A negociação de emendas por corte de gastos depende de apoio político consistente, algo que exige capital político que um candidato novo ainda precisa construir.
O histórico de ajustes fiscais no Brasil mostra que medidas impopulares dependem de ampla articulação. Nesse cenário, a proposta de usar emendas como instrumento de negociação não é nova, mas ganha contornos específicos na campanha.
Perguntas Frequentes
Renan Santos confirmou que usaria emendas como moeda de troca?
Sim. Em sabatina, ele admitiu usar o desembolso de emendas como moeda de troca para garantir governabilidade e aprovar reformas e cortes de gastos.
Qual é o papel do agronegócio no plano de Renan Santos?
O candidato poupou o setor, afirmando que o agro se tornou competitivo com menos incentivo fiscal e que o modelo funciona.
O que Renan Santos disse sobre a Zona Franca de Manaus?
Ele afirmou que a Zona Franca não funciona e citou a Honda, que receberia R$ 16 bilhões por ano, como exemplo de distorção a ser corrigida.
