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Reciprocidade não é retaliação nem "olho por olho", diz Alckmin

ResumoO vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade não representa retaliação ou "olho por olho" contra os Estados Unidos. A legislação é um instrumento para corrigir situações consideradas injustas pelo governo brasileiro. A declaração ocorreu após reunião com empresários do setor.

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade não deve ser vista como retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro. A declaração foi dada após reunião com empresários dos setor

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Reciprocidade não é retaliação nem "olho por olho", diz Alckmin

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (21) que a Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma medida de retaliação aos Estados Unidos, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro. "A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso", declarou Alckmin.

A Lei da Reciprocidade não é retaliação nem "olho por olho", diz Alckmin. A declaração foi feita após reunião com empresários dos setores afetados pelo novo tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump, que prevê tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com possibilidade de acréscimo de mais 12,5%, atingindo cerca de 18% das exportações destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

Os três eixos do pacote de apoio do governo

O governo estruturou a resposta à sobretaxa americana em três eixos: apoio financeiro às empresas, diversificação de mercados e diálogo permanente com os setores produtivos para dimensionar os impactos. O vice-presidente ressaltou que a Lei de Reciprocidade foi aprovada por unanimidade no Congresso no ano passado e oferece instrumentos para uma resposta institucional, respeitando trâmites legais, como consultas e audiências públicas.

Apoio financeiro e crédito

Entre as medidas em estudo está a oferta de crédito por meio do programa Brasil Soberano para capital de giro e investimentos das empresas afetadas. O governo também avalia flexibilizar temporariamente regras do regime de drawback, isenção, suspensão ou restituição de tributos para insumos usados na produção de mercadorias para exportação. A ideia é permitir que exportadores que perderem mercado nos Estados Unidos tenham mais prazo para cumprir compromissos de exportação sem perder benefícios tributários.

Diversificação de mercados

Paralelamente, a ApexBrasil, agência estatal voltada à promoção de exportações brasileiras, intensificará a busca por novos destinos para os produtos do país. Entre os mercados prioritários estão Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático, além do avanço das negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, Mercosul e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), e Mercosul e Singapura. O governo avalia que a diversificação dos destinos das exportações poderá reduzir a dependência do mercado estadunidense, especialmente para segmentos industriais de maior valor agregado.

Diálogo com setores produtivos

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou: "O fato de ser injusta, descabida e indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para primeiro socorrer quem precisa. O governo brasileiro tem que olhar para os seus setores e tomar as medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano, o custo." Nos últimos dias, diversas associações de empresários manifestaram preocupação com eventuais retaliações impostas pelo Brasil.

Calendário decisivo e próximos passos

O governo trabalha com um calendário considerado decisivo para definir as medidas de resposta. Na próxima sexta-feira, é aguardada uma definição dos Estados Unidos sobre a eventual aplicação cumulativa de mais 12,5% de tarifa sobre os produtos brasileiros decorrente de acusações de trabalho forçado. Já em 29 de julho entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias que já estão em trânsito para o mercado americano.

Até lá, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir as reuniões com representantes dos setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para consolidar um diagnóstico dos impactos e definir o pacote de apoio. Também está prevista uma missão oficial à Índia para ampliar oportunidades comerciais, especialmente para os fabricantes brasileiros de máquinas e equipamentos.

Segmentos mais expostos às tarifas

Segundo o governo, o mercado estadunidense é o principal destino das exportações brasileiras de eletroeletrônicos. O país responde por cerca de um quarto das vendas externas do setor de máquinas e equipamentos.

Perguntas Frequentes

A Lei da Reciprocidade é uma retaliação aos EUA?

Não. Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a lei não deve ser interpretada como retaliação, mas como um instrumento para corrigir uma situação considerada injusta pelo governo brasileiro, com resposta institucional e trâmites legais.

Qual o valor das exportações brasileiras afetadas pelo tarifaço?

Aproximadamente US$ 7,4 bilhões, o equivalente a cerca de 18% das exportações destinadas ao mercado americano, com tarifa de 25% e possibilidade de acréscimo de mais 12,5%.

Quais mercados o Brasil pretende buscar para diversificar exportações?

Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático, além do avanço das negociações dos acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia, EFTA e Singapura.

Quando entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias em trânsito?

Em 29 de julho de 2026.

Quais setores serão mais impactados pelas tarifas?

Eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, plásticos, veículos, autopeças, borracha e calçados são os segmentos mais expostos, segundo o governo.

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Henrique Salomão · Editor(a) Economia · Viva Capital PRO
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